MADRID 6 maio (EUROPA PRESS) -
Os institutos de Química Avançada da Catalunha (IQAC) e de Biologia Molecular de Barcelona (IBMB), ambos integrados ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), realizaram um estudo em fase pré-clínica no qual foi desenvolvida uma estratégia que permite forçar a eliminação de proteínas que ajudam os tumores a sobreviver à quimioterapia.
Este trabalho, publicado na revista especializada 'Nature Communications', abre, segundo seus autores, "um novo caminho para enfrentar a resistência aos tratamentos contra o câncer, um dos principais desafios da Oncologia". Isso “representa uma prova de conceito de um novo mecanismo de degradação induzida de proteínas nocivas, o que amplia a possibilidade de desenvolvimento de terapias mais eficazes no futuro”, especificou.
“Nosso estudo apresenta uma metodologia experimental otimizada, alternativa à via convencional de degradação induzida”, indicou o pesquisador do IBMB, Bernat Crosas, que liderou esta pesquisa juntamente com a membro do IQAC e do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede de Doenças Hepáticas e Digestivas (CIBEREHD), Gemma Fabriàs, e Jordi Bujons, também membro do IQAC.
Na opinião do primeiro, “essa abordagem permitiria projetar tratamentos mais precisos contra doenças como o câncer, bem como superar ou até mesmo reverter a quimiorresistência em determinados casos”. Neste trabalho, no qual também participaram pesquisadores da Universidade de Barcelona, os autores indicaram que as células “possuem um sofisticado mecanismo celular encarregado de eliminar proteínas defeituosas ou desnecessárias, o sistema ubiquitina-proteassoma, que constitui uma via de reciclagem de material proteico”.
Precisamente nesse processo, “as proteínas que devem ser destruídas são ‘marcadas’ com uma molécula, a ubiquitina, de modo que são reconhecidas e destruídas pelo proteassoma, uma organela presente em todas as células”, continuaram, após o que afirmaram que, “nos últimos anos, foram desenvolvidas novas ferramentas, ainda experimentais, para eliminar proteínas nocivas do organismo com base na intervenção do proteassoma”.
“Uma delas são os chamados ‘Protacs’, moléculas projetadas para desencadear o processo de marcação de células-alvo com ubiquitina e induzir sua destruição”, prosseguiram, acrescentando que, “no entanto, essa abordagem apresenta limitações, pois depende de mecanismos celulares muito específicos que nem sempre funcionam corretamente”.
Nesse contexto, a pesquisadora do IQAC e primeira autora deste estudo, Mireia Casasampere, afirmou que “o processo convencional funciona como um sistema de coleta de resíduos: primeiro, os ‘resíduos’ são marcados com unidades de ubiquitina e, depois, transportados até a usina de reciclagem: o proteassoma”. “No entanto, esse sistema pode, em algumas ocasiões, não ser totalmente eficiente, pois depende de várias etapas intermediárias, desde a marcação da proteína até sua eliminação”, esclareceu.
ENVIÁ-LAS AO PROTEASOMA
Diante disso, esta pesquisa busca contornar a fase de marcação e enviar as proteínas diretamente ao proteasoma. “Nesse caso, levamos as proteínas diretamente para o sistema de reciclagem celular”, destacou a pesquisadora do IQAC, Tania Roda, pois foram projetadas e sintetizadas novas moléculas do tipo ‘Protac’, capazes de direcionar para o proteassoma duas proteínas relevantes no câncer, sem a necessidade da etapa intermediária de ubiquitinação.
Trata-se da “IMPDH2”, uma enzima fundamental na replicação celular e, portanto, relacionada ao crescimento tumoral, e da “CERT1”, proteína e transportador lipídico envolvido nos processos de morte das células tumorais. Assim, as moléculas “Protacs” projetadas são modulares: uma parte reconhece a proteína que se deseja eliminar (“IMPDH2” ou “CERT1”), enquanto a outra se liga a uma partícula do proteassoma (“USP14”) que regula sua atividade.
“São moléculas de alta afinidade que se ligam à proteína-alvo e a transportam até o local preciso onde serão degradadas e destruídas”, revelou Farbriàs, referindo-se a um mecanismo de ação “mais simples e eficiente” e cujo resultado é “a inativação da célula tumoral, que não pode mais se replicar, ou a morte celular por apoptose”.
Com tudo isso, testes realizados com células cancerosas “demonstraram a eficácia e o potencial dessa nova estratégia de degradação direcionada, evitando algumas das limitações das tecnologias existentes, que dependem de mecanismos celulares específicos que nem sempre funcionam corretamente em determinados contextos patológicos”, explicaram os cientistas.
De fato, e conforme expuseram, “os resultados sugerem que, ao eliminar o ‘CERT1’, as células tumorais recuperam a sensibilidade a alguns tratamentos de quimioterapia”. “Se o ‘CERT1’ for bloqueado em alguns carcinomas, a quimioterapia pode voltar a funcionar”, afirmou Crosas, que acrescentou que os dados “são muito preliminares”, mas “abrem um caminho possível para que os tumores voltem a responder aos tratamentos, reduzindo a resistência, um problema muito comum no câncer”.
Nesse contexto, ele afirmou que, “em alguns tipos de câncer, entre 60% e 90% dos pacientes podem desenvolver resistência à quimioterapia, uma situação que pode se agravar em casos de metástase”. Por isso, estão focados “em otimizar essas moléculas para melhorar sua eficácia e especificidade, bem como em explorar sua aplicação em modelos mais avançados com vistas a uma possível aplicação clínica”.
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