Publicado 17/08/2026 07:14

O CSIC desenvolve novos materiais antimicrobianos para prevenir infecções sem promover a resistência

A resistência aos antimicrobianos é um desafio que preocupa os sistemas de saúde em todo o mundo

A bactéria “Staphylococcus aureus” escapando da destruição pelas células brancas humanas.
NIAID

MADRID, 17 ago. (EUROPA PRESS) -

O Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) trabalha no desenvolvimento de novos materiais antimicrobianos com o objetivo de prevenir infecções e combater a resistência aos antimicrobianos.

Segundo explica o CSIC, a resistência aos antimicrobianos tornou-se uma das maiores ameaças à saúde do século XXI. A crescente incapacidade dos antibióticos de conter microrganismos que antes eram facilmente controláveis fez com que hospitais, pesquisadores e organismos internacionais alertassem para o risco real de voltarmos a uma “era pré-antibiótica”, na qual uma cirurgia de rotina, uma infecção leve ou uma pneumonia comum poderiam se tornar potencialmente fatais.

Diante dessa ameaça, a pesquisa científica busca alternativas que não se limitem apenas à descoberta de novos antibióticos, mas que evitem que as infecções ocorram.

Nesse contexto, os materiais antimicrobianos se tornaram uma linha de defesa fundamental. Desde superfícies que impedem a adesão de bactérias até compostos que são ativados pela luz para eliminá-las, diversos grupos de pesquisa do CSIC trabalham em soluções que atuam desde o próprio projeto do material. Todos eles têm um objetivo comum: conter a colonização bacteriana sem favorecer o surgimento de novas resistências.

SUPERFÍCIES METÁLICAS QUE DIFICULTAM A INFECÇÃO

Uma das áreas em que essa abordagem se mostra especialmente relevante é a dos implantes e dispositivos médicos. Em próteses de quadril ou joelho, por exemplo, as infecções geralmente se iniciam logo após a cirurgia, quando as bactérias se aderem à superfície do implante e formam o que é conhecido como biofilme, uma estrutura que as protege e as torna muito difíceis de serem eliminadas com antibióticos.

Há quase duas décadas, o grupo Copromat do Centro Nacional de Pesquisas Metalúrgicas (CENIM-CSIC), liderado por Ana Conde del Campo, trabalha no desenvolvimento de superfícies metálicas antimicrobianas para reduzir esse tipo de infecção. Sua estratégia consiste em modificar a superfície de titânio dos implantes, fazendo crescer uma camada de óxido de titânio com flúor e uma estrutura de minúsculos tubos (nanotubular). Essa modificação reduz a aderência bacteriana e, além disso, permite que a superfície seja revestida com antibióticos, o que aumenta sua eficácia contra as bactérias mais comuns em infecções protéticas.

Os resultados mostram que essas superfícies podem eliminar mais de 95% das bactérias depositadas, sem afetar negativamente a integração do implante no osso.

MATERIAIS QUE “CAÇAM” BACTÉRIAS

Outra forma de abordar o problema consiste em controlar como as bactérias interagem com os materiais. Essa é a linha de trabalho de Enrique Martínez-Campos, do Instituto de Ciência e Tecnologia de Polímeros (ICTP-CSIC), que se concentra em modificar a superfície de materiais clínicos para dificultar a adesão bacteriana sem prejudicar o crescimento das células humanas (biocompatibilidade).

Com sua equipe, ele desenvolveu superfícies com milhares de microporos organizados como um favo de mel. Para isso, durante a fabricação, pequenas gotas de água se condensam sobre uma película polimérica e, ao evaporarem, deixam uma rede de cavidades microscópicas. Essas estruturas influenciam de maneira decisiva o comportamento das bactérias sobre o material, retendo-as e dificultando sua sobrevivência, enquanto as células humanas podem crescer normalmente.

DESINFECAR COM LUZ PARA EVITAR RESISTÊNCIAS

No Instituto de Ciência dos Materiais de Barcelona do CSIC (ICMAB-CSIC), o grupo liderado por Rosario Núñez explora uma estratégia diferente denominada terapia fotodinâmica antimicrobiana. Essa técnica se baseia no uso de compostos sensíveis à luz que, ao serem irradiados na presença de oxigênio, geram espécies altamente reativas capazes de destruir as bactérias.

A equipe desenvolveu uma família de moléculas sintéticas ativadas pela luz, conhecidas como BODIPY iodado, que melhoram sua solubilidade e sua eficácia antimicrobiana. Uma dessas moléculas demonstrou ser capaz de eliminar completamente culturas de bactérias especialmente problemáticas em hospitais, como o ‘Staphylococcus aureus’ ou o ‘Enterococcus faecium’, após a exposição à luz verde.

MUDANÇA DE ESTRATÉGIA NO COMBATE ÀS INFECÇÕES

Em conjunto, essas linhas de pesquisa realizadas no CSIC refletem uma mudança de paradigma na luta contra as infecções. Em contraposição à busca exclusiva por novos antibióticos, os materiais antimicrobianos apostam na prevenção da colonização bacteriana, na dificultação da formação de biofilmes ou na eliminação de patógenos por meio de mecanismos físicos ou fotoquímicos difíceis de serem contornados.

De hospitais e salas de cirurgia até a indústria alimentícia, a agricultura ou a pecuária, esses materiais abrem caminho para ambientes mais seguros e menos dependentes de antibióticos.

O CSIC ressalta que, em um cenário marcado pelo avanço imparável da resistência à maioria dos antibióticos de uso comum, as superfícies capazes de se defender por conta própria poderiam se tornar uma das ferramentas mais eficazes para conter uma ameaça à saúde global que já não é futura, mas sim presente.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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