ROCHELLE PETTAWAY - Arquivo
MADRID 30 mar. (EUROPA PRESS) -
O Instituto de Ciências Espaciais (ICE-CSIC), do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), pretende aproximar o eclipse de 12 de agosto de 2026 das pessoas com deficiência visual, por meio do projeto “Eclipse inclusivo”.
Para isso, disponibilizará aos organizadores de eventos de observação cerca de cem dispositivos “LightSound”. Esses aparelhos, já utilizados em outros países, ajudam a vivenciar o eclipse por meio do som. O objetivo é realizar o maior número possível de eventos inclusivos de observação e, além disso, criar um mapa sonoro desse fenômeno astronômico, conforme explicado em um comunicado.
Os dispositivos “LightSound”, desenvolvidos pelo projeto de mesmo nome da Universidade de Harvard (Estados Unidos), são um pouco maiores do que um celular e utilizam uma tecnologia de código aberto para transformar a intensidade da luz em som.
Sob a luz solar intensa, o som começa como um tom agudo de flauta e, à medida que a Lua vai cobrindo o Sol durante o eclipse, o som desce para um tom grave de clarinete antes de desaparecer completamente durante a fase de eclipse total do Sol, reproduzindo assim todo o processo. Esses aparelhos podem ser conectados a fones de ouvido, para vivenciar o evento de forma individual e mais contemplativa, ou a alto-falantes, para uma experiência compartilhada.
“Um eclipse solar total é uma experiência absolutamente única, na qual é importante que o maior número possível de pessoas possa participar; por isso, é relevante tornar esses eventos acessíveis para que as pessoas com deficiência visual não fiquem excluídas de algo que vai mobilizar milhões de pessoas em todo o país”, afirma o coordenador do projeto ‘Eclipse inclusivo’, Jorge Rivero.
“Como ele enfatizou, o momento da totalidade é um instante muito emocionante, quase de comunhão coletiva; queremos que esse sentimento seja também um momento de inclusão, no qual todos possamos compartilhar a experiência”, acrescenta.
O projeto “Eclipse Inclusivo” irá fabricar, graças ao financiamento da Fundação Espanhola para a Ciência e a Tecnologia (FECYT), cerca de 100 dispositivos “LightSound” em uma oficina com voluntários que será realizada no mês de maio em Barcelona. Os aparelhos serão utilizados tanto em eventos de observação do eclipse quanto em oficinas para pessoas com deficiência visual, organizadas em parceria com o Centro de Recursos Educativos da ONCE em Barcelona.
Esses dispositivos já demonstraram sua eficácia em eclipses solares anteriores nos Estados Unidos (2017, 2024), no Chile e na Argentina (2019-2020). Graças a eles, inúmeras pessoas com deficiência visual puderam perceber e apreciar esse fenômeno astronômico, transformando a observação tradicional em uma experiência multissensorial.
Como comenta Allyson Bieryla, astrônoma do Center for Astrophysics-Harvard and Smithsonian e coordenadora do projeto 'LightSound', “a resposta mais comum entre aqueles que os utilizam é de gratidão por tê-los criado. Muitos estudantes e adultos com deficiência visual se sentiram, pela primeira vez, parte de um evento emocionante que a maioria considera puramente visual”.
Os dispositivos “LightSound” produzidos pelo ICE-CSIC serão emprestados gratuitamente (até o esgotamento do estoque disponível) aos organizadores de eventos do eclipse, que deverão arcar com os custos de envio. Para solicitá-los, é necessário preencher um formulário com informações sobre o tipo de atividade em que serão utilizados. O prazo final para solicitações é 31 de maio. Mais informações podem ser obtidas no site do projeto “Eclipse inclusivo”.
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