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MADRID 10 jul. (EUROPA PRESS) -
A Fundação CRIS Contra o Câncer destacou seu apoio à pesquisa nacional e internacional sobre sarcomas por meio de projetos voltados para melhorar o diagnóstico e acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos para esses tumores que, em sua opinião, representam um dos grandes desafios da oncologia devido à sua baixa incidência e complexidade.
No âmbito do Dia Internacional do Sarcoma, comemorado no próximo dia 13 de julho, a fundação relembrou as pesquisas por ela financiadas. Entre elas, destaca-se o desenvolvimento de terapias celulares de última geração para crianças com sarcomas sem opções terapêuticas no Hospital Universitário La Paz (Madri).
Além disso, ela promove a busca por biomarcadores que permitam antecipar as metástases e personalizar os tratamentos no Hospital Universitário Virgen del Rocío (Sevilha) e no INCLIVA (Valência). Da mesma forma, a fundação destaca o estudo aprofundado da genética dos sarcomas para aprimorar o diagnóstico e descobrir novos alvos terapêuticos no Instituto de Oncologia Vall d’Hebron (VHIO, Barcelona).
Os sarcomas são um grupo de tumores que se originam nos tecidos que dão estrutura ao corpo: ossos, músculos, tecido adiposo, vasos sanguíneos, nervos e outros tecidos de suporte. Ao contrário de outros tipos de câncer mais comuns, que geralmente surgem em células que revestem órgãos ou superfícies do organismo, os sarcomas podem se desenvolver em muitas áreas diferentes e assumir formas muito distintas.
Na verdade, quando se fala em sarcoma, não se refere a uma única doença, mas a uma grande família de tumores que inclui mais de 150 subtipos: desde o osteossarcoma ou o sarcoma de Ewing, que afetam os ossos, até o sarcoma sinovial, os rabdomiossarcomas e muitos outros sarcomas de tecidos moles.
É justamente essa complexidade que levou a CRIS Contra o Câncer a impulsionar a pesquisa sobre sarcomas. Trata-se de tumores pouco frequentes — na Espanha, são diagnosticados cerca de 2.600 casos por ano, e cerca de 28.000 na União Europeia —, mas sua raridade não os torna um problema menor.
Quando a doença está localizada, muitos pacientes respondem bem ao tratamento; no entanto, quando o sarcoma se espalha, reaparece ou deixa de responder às terapias disponíveis, o prognóstico piora drasticamente: a sobrevida em 5 anos nos sarcomas de tecidos moles cai de 83% na doença localizada para aproximadamente 17% com metástase, e em alguns sarcomas infantis em recidiva ou resistentes pode ficar abaixo de 10 a 30%, dependendo do subtipo.
TRÊS GRANDES DESAFIOS ENFRENTADOS PELA PESQUISA
Para a CRIS Contra o Câncer, há três razões pelas quais os sarcomas representam um desafio especialmente difícil para a medicina, e ela orienta seu trabalho para dar resposta a elas. Assim, a Fundação destaca a baixa incidência desse tipo de tumor, já que, por afetar poucos pacientes, torna-se mais difícil coletar amostras, gerar conhecimento suficiente e iniciar ensaios clínicos específicos para cada subtipo.
A Fundação também destaca a enorme diversidade, pois o sarcoma não é uma única doença, mas uma família de tumores muito distintos entre si, que, mesmo dentro de um mesmo órgão, podem se comportar de maneira muito diferente em nível genético e molecular. Por isso, uma mesma estratégia geralmente não funciona para todos os pacientes, e a CRIS Contra o Câncer promove projetos que buscam compreender cada tumor para avançar em direção a tratamentos mais precisos e personalizados para cada paciente.
Por fim, a CRIS Contra o Câncer destaca a capacidade dos sarcomas de reaparecer, se espalhar ou deixar de responder ao tratamento. Nessas situações, as opções disponíveis são muito mais limitadas e o prognóstico se agrava significativamente. Ainda se desconhecem muitos dos mecanismos que levam as células dos sarcomas a evitar ou deixar de responder aos tratamentos; por isso, a CRIS financia pesquisas para compreender melhor essas situações e poder se antecipar a elas.
PROJETOS IMPULSIONADOS PELA CRIS CONTRA O CÂNCER
Na Unidade CRIS de Terapias Avançadas para Câncer Infantil do Hospital Universitário La Paz, dirigida pelo Dr. Antonio Pérez, estão sendo desenvolvidas estratégias inovadoras de imunoterapia para tratar os sarcomas pediátricos.
A pesquisa já chegou aos pacientes por meio de ensaios clínicos pioneiros desenvolvidos pela própria Unidade CRIS. Entre elas estão novas terapias baseadas em células NK provenientes de doadores saudáveis e uma geração inovadora de células CAR-T, um tratamento que consiste em modificar geneticamente os linfócitos T do sistema imunológico para que sejam capazes de reconhecer e atacar especificamente as células tumorais.
Por sua vez, o Projeto CRIS sobre o Sarcoma de Ewing, liderado pelo Dr. Enrique de Álava, diretor da Unidade de Gestão Clínica Intercentros de Anatomia Patológica do Hospital Universitário Virgen del Rocío, em Sevilha, e pela doutora Rosa Noguera, coordenadora do Grupo de Pesquisa Translacional de Tumores Sólidos Pediátricos do INCLIVA (Valência), busca compreender melhor a biologia desses tumores para aprimorar seu diagnóstico e prevenir metástases.
O objetivo do projeto é compreender por que alguns sarcomas de Ewing e tumores muito semelhantes, conhecidos como “Ewing-like”, são especialmente agressivos e desenvolvem metástases.
Por fim, o Dr. César Serrano lidera, no Instituto de Oncologia Vall d’Hebron (VHIO), um projeto que busca transformar a forma como esses tumores são diagnosticados e classificados. Graças à análise molecular de centenas de amostras de pacientes e ao uso de tecnologias genômicas de última geração, a equipe está identificando alterações que até agora haviam passado despercebidas e que permitirão definir com maior precisão os diferentes subtipos de sarcoma.
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