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MADRID 7 abr. (EUROPA PRESS) -
Um estudo dinamarquês concluiu que a crioablação, em comparação com outros tratamentos comuns no tratamento do câncer de rim, como a ressecção cirúrgica ou a nefrectomia, não apenas apresenta resultados de eficácia semelhantes, mas também favorece internações hospitalares mais curtas e um menor número de consultas hospitalares durante os trinta dias após o tratamento, o que é um indicador de um menor número de complicações.
A crioablação é uma técnica minimamente invasiva utilizada por radiologistas vasculares e intervencionistas (RVI) como tratamento para alguns tumores renais, especialmente aqueles localizados e de pequeno porte, e consiste em destruir o tecido tumoral por meio da aplicação de frio extremo.
Guiados por imagem (tomografia computadorizada ou, ocasionalmente, ultrassom), os RVI introduzem uma ou várias crio-sondas (agulhas) diretamente no tumor renal e, em seguida, aplicam um protocolo que geralmente consiste em três ciclos de dez minutos de congelamento rápido (mediante o uso de argônio) e descongelamento para, finalmente, aplicar um último ciclo de congelamento rápido que provoca a destruição das células cancerosas, preservando ao máximo possível o tecido renal saudável circundante.
“Esperamos que o estudo possa proporcionar a pacientes e médicos maior confiança na hora de escolher um tratamento menos invasivo quando for apropriado. O objetivo não é substituir a cirurgia, mas garantir que os pacientes indicados recebam o tratamento mais adequado para sua doença e sua saúde em geral”, afirmou Iben Lyskjær, professora do Departamento de Medicina Clínica da Universidade de Aarhus e autora principal do estudo, realizado em mais de 2.000 pacientes e publicado na revista 'Radiology'.
Entre esses pacientes — sempre com tumores renais pequenos (menos de 4 cm), localizados e sem disseminação para os gânglios linfáticos nem metástases à distância — encontram-se aqueles que apresentam comorbidades importantes ou idade avançada e maior risco para cirurgia de grande porte, aqueles com tumores em localizações complexas onde a cirurgia é tecnicamente difícil ou apresenta alto risco e, em alguns casos também, pacientes mais jovens ou de menor risco que pretendem evitar os riscos cirúrgicos.
“Este estudo fornece evidências da eficácia e segurança da crioablação em tumores renais pequenos, apoiando seu uso na prática clínica para certos grupos que atendam às indicações. Com até dez anos de diagnóstico e um acompanhamento de longo prazo, oferece uma perspectiva sólida e realista do desempenho do tratamento”, afirma o Dr. David Jiménez Restrepo, radiologista intervencionista do Hospital Geral Universitário de Valência.
Para o membro da Sociedade Espanhola de Radiologia Vascular e Intervencionista (SERVEI), os resultados do estudo são “representativos e comparáveis” aos observados na prática clínica e reforçam os benefícios que os especialistas vêm observando há anos, entre eles menos complicações e internações hospitalares muito curtas (muitas vezes, inclusive, ambulatoriais) e uma melhor tolerabilidade por parte de pacientes idosos ou com doenças concomitantes; mas também uma melhor preservação da função renal e a possibilidade de repetir o procedimento.
Apesar desses bons resultados apresentados pelos estudos, e do fato de a crioablação ser um tratamento que já vem sendo realizado há cerca de duas décadas, David Jiménez lamenta o desconhecimento que ainda existe em torno do procedimento, inclusive entre a comunidade médica. “Felizmente, cada vez mais nossos resultados na prática clínica convencem urologistas e oncologistas de que se trata de uma excelente alternativa, comparável em resultados à cirurgia, desde que as indicações sejam cumpridas”, conclui.
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