Publicado 19/05/2026 12:37

O CPJ alerta para o recrudescimento da "repressão" contra jornalistas nos países do Golfo devido à ofensiva do Irã

Archivo - Arquivo - Imagem de arquivo de um lançamento realizado pelas forças iranianas.
Iranian Army Office/ZUMA Press W / DPA - Arquivo

Denuncia o uso do conflito para "criminalizar as informações que minam as narrativas oficiais"

MADRID, 19 maio (EUROPA PRESS) -

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) alertou nesta terça-feira para o recrudescimento da “campanha de repressão” contra jornalistas e meios de comunicação nos países do Golfo Pérsico, na sequência da ofensiva lançada em fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que corre o risco de “se tornar permanente”.

Em um comunicado, o CPJ assinalou que há indícios de um aumento nos casos de detenções, intimidações e ações legais e econômicas contra jornalistas e meios de comunicação na região, um aumento que representa uma “ameaça significativa e pouco conhecida à liberdade de imprensa nesses países, onde as liberdades desses profissionais já estavam, por si só, gravemente restringidas”.

“Muitos desses incidentes não foram divulgados, pois jornalistas e meios de comunicação temem novas represálias por parte das autoridades. O CPJ alerta que isso aponta para uma repressão cada vez maior que está redefinindo a forma como se reporta sobre a guerra no Irã”, lamentou.

Assim, ele observou que, embora “as limitações à informação geralmente sejam justificáveis durante um conflito ativo para proteger os movimentos de tropas ou permitir operações militares eficazes, as restrições atuais vão muito além das preocupações genuínas em matéria de segurança nacional”.

“Essas novas medidas utilizam uma linguagem ambígua para criminalizar a informação que prejudica as narrativas do Estado ou a moral pública. Ao agir contra jornalistas não por revelarem segredos, mas por compartilharem informações verificadas e de domínio público, as autoridades estão contornando as necessidades tradicionais de segurança para impor a conformidade ideológica", afirma o documento.

Além disso, ela expressou que o que é de conhecimento público é "apenas a ponta do iceberg". A diretora regional do CPJ, Sara Qudá, destacou que “além dos casos que podemos confirmar publicamente, há um número crescente de agressões que não são denunciadas, silenciadas pelo medo de novas represálias”.

“Esse clima de intimidação está levando os jornalistas à autocensura, sufocando o fluxo da verdade na sua origem. Não podemos permitir que isso se torne a norma. Os governos devem agir agora para proteger a liberdade de imprensa, garantir a prestação de contas e criar condições nas quais os jornalistas possam informar sem medo”, afirmou.

PRECEDENTES HISTÓRICOS

Além disso, ele explicou que no centro dessa crise está um “precedente histórico assustador”. “A preocupação é que essas restrições de emergência em tempos de guerra não sejam desmanteladas quando os combates cessarem. A história mostra que as leis promulgadas durante crises — como o Estado de Segurança Nacional do Bahrein de 2011, que estabeleceu um marco legal de censura que persistiu muito depois do fim da emergência — costumam sobreviver ao seu propósito original, tornando-se elementos permanentes utilizados para sufocar a dissidência em tempos de paz”, afirmou.

Em países como Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar, as autoridades têm recorrido a motivos semelhantes para deter jornalistas e profissionais da mídia desde o início da guerra, conforme indica o texto.

“Esses casos envolvem sistematicamente a punição de pessoas e meios de comunicação por atividades jornalísticas rotineiras, como fotografar, filmar ou publicar informações sobre eventos que ocorrem à vista do público”, alertou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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