Publicado 08/04/2026 09:23

A Covid persistente pode custar até 115 bilhões de euros por ano aos países da OCDE

A organização internacional estima que o custo para os sistemas de saúde possa chegar a 9,5 bilhões de euros

Archivo - Arquivo - Teste de Covid-19 positivo
VIOLETASTOIMENOVA/ ISTOCK - Arquivo

MADRID, 8 abr. (EUROPA PRESS) -

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimou que a Covid persistente pode custar até 115,329 bilhões de euros por ano (135 bilhões de dólares) aos países membros ao longo da próxima década, o que equivale ao orçamento anual de saúde da Espanha.

É o que se depreende de um relatório publicado nesta quarta-feira pela OCDE, que apresenta uma projeção de perdas que podem oscilar entre 0,1% e 0,2% do PIB (produto interno bruto) em um cenário de transmissão residual baixa ou moderada do vírus que dê origem a novos casos de Covid persistente.

A OCDE procurou analisar “a longa sombra da pandemia” a partir do estudo do impacto econômico previsto para a Covid persistente, uma infecção caracterizada por sintomas duradouros, como fadiga ou confusão mental, após a superação da doença por Covid-19.

A Covid persistente afetou cerca de 75 milhões de pessoas, mais de 5% da população da OCDE, no auge da pandemia, em 2021. Nesse momento, os custos com saúde atingiram 45,3 bilhões de euros (53 bilhões de dólares). Embora a prevalência da Covid persistente e, consequentemente, as despesas associadas tenham diminuído, elas continuam sendo significativas.

Nesse contexto, a OCDE desenvolveu três cenários hipotéticos. O primeiro, otimista mas improvável, pressupõe que não haverá novos casos de Covid persistente; o segundo estima uma baixa transmissão residual de 5% e uma prevalência de 0,6%; e o terceiro, mais pessimista, estabelece uma incidência anual de 10% e uma prevalência acima de 1%.

Embora se preveja que a prevalência da Covid persistente se mantenha abaixo de 1% entre 2025 e 2035, o que implica que afetará entre 0,6% e 1% da população da OCDE e da União Europeia, os custos diretos com saúde para lidar com essa doença continuarão sendo “elevados”.

Especificamente, em um cenário pessimista, ela pode custar até 9,5 bilhões de euros por ano (11 bilhões de dólares) aos sistemas de saúde dos países membros, o que representa cerca de 0,14% do gasto total com saúde.

Além disso, a OCDE alertou que essa infecção continuará causando licenças médicas, absenteísmo e uma redução da produtividade. Estudos sugerem que a Covid persistente provoca a interrupção do emprego em aproximadamente um em cada cinco trabalhadores afetados, o que representa uma perda de 5% a 10% da produtividade laboral por pessoa afetada durante o primeiro ano de infecção.

O relatório especifica que suas estimativas podem estar subestimando o verdadeiro impacto da Covid persistente. “É provável que essa condição tenha consequências de longo alcance que ainda não são totalmente compreendidas”, detalha.

MELHORAR O ATENDIMENTO E A REINTEGRAÇÃO LABORAL DOS PACIENTES

A OCDE instou a melhorar o atendimento e a reintegração profissional dos pacientes com Covid persistente, para o que propôs uma série de medidas focadas, em primeiro lugar, em reforçar a conscientização, o diagnóstico, o tratamento e a organização dos cuidados de saúde prestados a essas pessoas.

Nesse sentido, alertou que o reconhecimento, o diagnóstico e o atendimento da doença “continuam sendo desiguais” entre os países da OCDE e da UE. Por isso, pediu que se priorize a formação dos profissionais de saúde.

Além disso, destacou a falta de planejamento e visão de longo prazo para lidar com a Covid persistente e exigiu que sejam desenvolvidos protocolos de atendimento, dos quais apenas a Áustria, a Bélgica, a França, a Alemanha, o Luxemburgo e os Países Baixos dispõem formalmente e em nível nacional.

Paralelamente, destacou que a vigilância, o acompanhamento e a investigação da Covid persistente podem ajudar na preparação para responder à próxima pandemia. Assim, valorizou o investimento contínuo em investigação, sistemas de dados e modelos de atendimento multidisciplinares.

A OCDE enfatizou que a Covid persistente não é apenas um problema médico, mas também um desafio social e econômico. No entanto, observou que a resposta política até agora se limita em grande parte ao setor da saúde, pelo que instou a melhorar a coordenação intersetorial e a envolver as áreas do emprego, da educação e da proteção social.

Por fim, destacou o papel fundamental da colaboração internacional contínua para desenvolver e aperfeiçoar diretrizes clínicas baseadas em evidências, definições padronizadas e protocolos de atendimento nacionais que permitam reduzir o impacto social e econômico da doença.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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