VALÊNCIA 18 dez. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe liderada pelo pesquisador Félix Viana, codiretor do laboratório de Transdução Sensorial e Nocicepção do Instituto de Neurociências (IN), um centro conjunto do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha (CSIC) e da Universidade Miguel Hernández de Elche (UMH), demonstrou que o corpo usa diferentes mecanismos moleculares para detectar o frio na pele e nos órgãos internos.
Os resultados da pesquisa, realizada em modelos animais, representam um "avanço" na compreensão da homeostase térmica - a capacidade do corpo de manter sua temperatura interna estável - e de certas doenças de sensibilidade ao frio, informou o centro em um comunicado.
Esse trabalho, publicado recentemente na revista Acta Physiologica, mostra que a percepção do frio não é um processo homogêneo em todo o corpo. Na pele, o frio é detectado principalmente pelo canal iônico TRPM8, especializado em reconhecer baixas temperaturas e sensações refrescantes no ambiente. Em contraste, os órgãos internos, como os pulmões e o estômago, usam um sensor diferente, chamado TRPA1, para perceber a diminuição da temperatura, disseram eles.
Essa diferença nos mecanismos moleculares explica por que a sensação de frio na superfície do corpo pode ser muito diferente daquela experimentada ao respirar ar frio ou ingerir alimentos ou líquidos muito frios, já que cada tipo de tecido ativa e usa caminhos diferentes para detectar mudanças térmicas.
"A pele é equipada com sensores específicos que nos permitem detectar o frio ambiental e adaptar comportamentos defensivos", explicou Felix Viana, pesquisador principal do estudo, acrescentando: "Em contraste, a detecção do frio no interior do corpo parece depender de circuitos sensoriais e receptores moleculares distintos, refletindo seu papel fisiológico mais profundo na regulação interna e na resposta a estímulos ambientais.
A equipe de pesquisa realizou esse estudo usando modelos animais que permitiram a análise direta da atividade dos neurônios sensoriais envolvidos na detecção do frio.
Especificamente, a equipe comparou os neurônios do nervo trigêmeo, que transmite informações da pele e da superfície da cabeça, com os neurônios do nervo vago, a principal via sensorial que conecta o cérebro aos órgãos internos, como os pulmões e o trato digestivo.
Para examinar como esses neurônios respondem às mudanças de temperatura, os pesquisadores usaram técnicas de imagem de cálcio e registros eletrofisiológicos, que permitem a observação em tempo real da ativação neuronal.
Essas abordagens foram combinadas com o uso de drogas específicas capazes de bloquear determinados sensores moleculares, o que ajudou a identificar quais canais iônicos estão envolvidos na detecção do frio em cada tipo de neurônio.
Além disso, a equipe usou camundongos geneticamente modificados sem os sensores TRPM8 ou TRPA1, juntamente com a análise de expressão de genes, para confirmar a função diferencial desses canais na percepção do frio. Essa abordagem multidisciplinar demonstrou que a detecção do frio é ajustada com precisão às funções fisiológicas de cada tecido e que os órgãos internos empregam mecanismos moleculares diferentes dos da pele.
"Nossas descobertas revelam uma visão mais complexa e diferenciada de como os sistemas sensoriais em diferentes tecidos codificam as informações térmicas. Isso abre novos caminhos para o estudo de como esses sinais são integrados e como eles podem ser alterados em condições patológicas, como em certas neuropatias em que a sensibilidade ao frio é prejudicada", diz Katharina Gers-Barlag, primeira autora do artigo.
Esse estudo foi possível graças ao financiamento do Plano Nacional de Pesquisa Científica e Técnica e Inovação do governo espanhol; da Agência Estatal de Pesquisa-Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, por meio do Programa Severo Ochoa para Centros de Excelência; e da Generalitat Valenciana.
Esse trabalho faz parte de um projeto internacional, financiado pelo Human Frontier Science Program (HFSP) e coordenado por Viana no Institute of Neurosciences, que tem como objetivo estudar a base molecular da percepção do frio em diferentes espécies adaptadas a ambientes térmicos extremos.
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