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MADRID 30 jun. (EUROPA PRESS) -
O dentista da equipe de Assistência e Inovação Clínica da Sanitas Dental, Antonio Longo, alertou que o consumo excessivo de bebidas energéticas está associado a problemas bucodentários, decorrentes da erosão do esmalte dentário, e outras consequências para o organismo, como insônia e desconfortos digestivos.
Ele fez essa afirmação diante do consumo generalizado de bebidas energéticas na Espanha, que a Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição (AESAN) estima em 25% da população. Quase metade das pessoas que as consomem, 49%, o faz pelo menos uma vez por dia, e 47% as misturam com álcool regularmente.
“Os danos na boca surgem devido à repetição. Cada lata reduz o pH bucal; a saliva precisa de tempo para compensar isso e, se, antes que a boca se recupere, for consumida outra bebida ácida, o esmalte entra em um ciclo de agressão contínua. Muitos pacientes não percebem isso até que surjam sintomas como sensibilidade ao frio ou desconforto ao escovar os dentes”, explicou Antonio Longo.
Além dos riscos bucodentários, o especialista destacou que uma dose elevada de cafeína pode estar associada a azia, náuseas, dor de estômago ou diarreia, especialmente quando consumida com o estômago vazio, em grandes quantidades ou rapidamente. Essas bebidas também estão relacionadas ao surgimento de ansiedade, nervosismo e irritabilidade.
Outra das consequências conhecidas ao consumi-las à tarde ou à noite é a dificuldade para adormecer, juntamente com uma redução na qualidade do sono. Em alguns casos, a pessoa consegue dormir, mas acorda com uma sensação de cansaço.
Antonio Longo alertou para o risco maior decorrente do consumo de bebidas energéticas combinadas com álcool, já que essa mistura pode reduzir a percepção de cansaço ou sonolência, o que leva a beber mais do que o previsto ou a subestimar o nível real de embriaguez.
O diretor médico do Hospital Universitário Sanitas La Moraleja, Pablo Turrión, esclareceu que, em pessoas saudáveis, o impacto de uma ingestão pontual “costuma ser limitado”. “No entanto, se forem consumidas de forma constante para estudar, trabalhar, treinar ou sair para se divertir, podem começar a surgir sinais como taquicardia ou palpitações, nervosismo ou distúrbios do sono que não devem ser considerados normais”, destacou.
O risco pode ser especialmente relevante em adolescentes, mulheres grávidas ou em período de lactação, pessoas com hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, problemas de sono ou aquelas que tomam medicação regularmente.
RESERVAR O CONSUMO PARA MOMENTOS ESPECÍFICOS
Os especialistas da Sanitas recomendaram adotar algumas medidas concretas para reduzir os riscos, entre as quais destacaram, em primeiro lugar, que as bebidas sejam reservadas para momentos pontuais e não sejam consumidas diariamente, nem como substituto do descanso.
Paralelamente, eles recomendaram evitar o consumo em pequenos goles ao longo de horas, pois quanto mais tempo a bebida permanece em contato com os dentes, maior é a exposição do esmalte ao ácido. Além disso, desaconselharam o consumo antes de dormir, tanto à tarde quanto à noite.
Os profissionais também recomendaram enxaguar a boca com água após o consumo, o que ajuda a remover resíduos de açúcar e reduzir a acidez na boca. Caso se pretenda escovar os dentes após consumir bebidas ácidas, eles destacaram que o melhor é esperar um tempo razoável, especialmente em pessoas com sensibilidade dentária ou risco de erosão do esmalte.
Pablo Turrión aconselhou procurar um dentista caso o consumo de bebidas energéticas se torne um hábito diário, com o objetivo de verificar, com ajuda profissional, a possível existência de um problema subjacente e avaliar alternativas mais saudáveis. Dessa forma, é possível evitar o surgimento de incômodos a longo prazo que afetem o bem-estar geral.
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