Publicado 10/03/2026 07:58

O Conselho de Maiorca inicia a extração do naufrágio de Ses Fontanelles

Imagem da operação de extração do naufrágio de Ses Fontanelles
CONSELL DE MALLORCA

PALMA 10 mar. (EUROPA PRESS) - O Conselho de Maiorca iniciou nesta terça-feira a operação de extração do naufrágio de Ses Fontanelles, uma ação arqueológica fundamental para garantir a preservação e o estudo do sítio, considerado uma das descobertas subaquáticas mais relevantes do Mediterrâneo ocidental.

O presidente do Conselho, Llorenç Galmés, e a vice-presidente da instituição insular e conselheira de Cultura e Patrimônio, Antònia Roca, explicaram o início dos trabalhos de extração, uma intervenção que representa um passo decisivo na preservação deste sítio arqueológico.

O presidente destacou a importância desta ação para o património histórico da ilha e sublinhou que se trata de um projeto fruto de muitos anos de trabalho e investigação. “Iniciamos uma ação muito importante para proteger e valorizar o nosso património. O naufrágio de Ses Fontanelles é um testemunho excepcional da nossa história marítima e, com esta extração, damos um passo decisivo para garantir a sua conservação e estudo”, explicou. Galmés salientou que a intervenção responde a uma longa trajetória de investigação científica. “São muitos anos de trabalho e investigação. Precisamente por isso, é imprescindível abordar este projeto com o máximo rigor científico”, afirmou.

Por sua vez, Roca destacou a importância científica e patrimonial do projeto. “Estamos diante de um dos sítios subaquáticos mais relevantes do Mediterrâneo ocidental. Esta operação permitirá estudar em profundidade o naufrágio e continuar ampliando o conhecimento sobre a navegação e o comércio marítimo no Mediterrâneo na época romana”, disse. FUTURA EXPOSIÇÃO NA MISERICÒRDIA

Roca também destacou a vontade da instituição de aproximar este projeto dos cidadãos e lembrou que o Consell está preparando uma exposição que será realizada na Misericòrdia nos próximos meses e que permitirá divulgar os resultados da investigação e o valor histórico deste navio romano. “Queremos colocar este projeto ao alcance dos cidadãos e partilhar o conhecimento gerado a partir desta investigação”, acrescentou. O naufrágio de Ses Fontanelles é um navio romano tardio datado do século IV d.C., descoberto em 2019 por um cidadão que mergulhava na zona e que avisou o Consell de Maiorca da descoberta. O navio encontra-se a apenas 65 metros da costa e a uma profundidade aproximada de 2,5 metros. Foi possível determinar que o navio media aproximadamente 12 metros de comprimento por cinco de largura. Após vários anos de investigação, os especialistas determinaram que o navio era proveniente de Cartagena e que naufragou em Maiorca durante o século IV d.C. Em 2022, já foram extraídos alguns materiais que se encontravam no interior do navio, principalmente ânforas que continham azeite, vinho e molhos de peixe, algumas delas com restos orgânicos no seu interior, um facto extraordinário por fornecer informações diretas sobre o comércio e a alimentação na época romana. ESTADO DE CONSERVAÇÃO “EXCEPCIONAL” DA MADEIRA

Segundo os especialistas, o estado de conservação da madeira do navio é excepcional. As 300 ânforas recuperadas, de diversos tipos, apresentam inscrições pintadas que foram catalogadas como as mais importantes documentadas no Mediterrâneo, pois fornecem informações diretas sobre o conteúdo dos recipientes.

Por tudo isso, o naufrágio de Ses Fontanelles é considerado uma descoberta de grande relevância científica que coloca Maiorca como uma referência arqueológica em escala internacional. Os trabalhos são realizados por uma equipe técnica e científica especializada em arqueologia subaquática e conservação do patrimônio criada pelo Consell de Maiorca. A equipe é coordenada por Miquel Àngel Cau-Ontiveros, da Universidade de Barcelona; Darío Bernal-Cassola, da Universidade de Cádiz; Enrique García, da Universidade das Ilhas Baleares (UIB), e Carlos de Juan, da Universidade de Valência. PROCESSO COMPLEXO QUE DURARÁ PELO MENOS QUATRO MESES

A operação de extração será um processo complexo que se desenvolverá ao longo de cerca de quatro meses, embora a duração exata dependa das condições meteorológicas e do mar, que podem influenciar o ritmo dos trabalhos. Nesta primeira fase, os esforços da equipe técnica concentram-se principalmente na remoção da areia que cobre o naufrágio, uma tarefa essencial para preparar o navio para as fases seguintes da extração.

Nas últimas semanas, também foram concluídos os trabalhos preparatórios no Castell de Sant Carles, onde foi habilitado um laboratório para receber e tratar o material arqueológico quando a extração do navio naufragado estiver concluída.

Esta operação também foi planejada levando em consideração o impacto que pode causar na área, razão pela qual todos os agentes envolvidos, associações de moradores, hotéis e restaurantes da região, bem como membros das forças de segurança e diferentes instituições, foram mantidos informados, com o objetivo de informar sobre o calendário das ações e garantir a máxima coordenação durante o desenvolvimento dos trabalhos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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