Fernando Sánchez - Europa Press
Pérez Raya lembrou que a Espanha precisa de mais de 100.000 enfermeiras MADRID 4 mar. (EUROPA PRESS) - O presidente do Conselho Geral de Enfermagem (CGE), Florentino Pérez Raya, lamentou que, apesar de serem profissionais “altamente qualificadas”, as enfermeiras não têm o reconhecimento que merecem por parte da Administração, pelo que defendeu a necessidade de valorizar a sua formação e o seu nível real de responsabilidade e de impulsionar um quadro normativo que reconheça "sem ambiguidades" o conjunto das suas competências. Neste sentido, defendeu a reforma da lei dos medicamentos para incluir nas suas competências a sua capacidade de prescrição. No entanto, o presidente do Conselho lembrou que a prescrição de enfermagem, denominada indicação, já está incorporada na legislação por meio do Decreto Real de 2018 e foi aceita pelos representantes sindicais e profissionais do coletivo médico.
“Estou certo de que a prescrição de enfermagem será vista no futuro como um ato habitual que agilizará o Sistema Nacional de Saúde e a continuidade dos cuidados, sempre dentro do nosso âmbito de competências”, afirmou Pérez Raya durante o encontro informativo do Fórum Hospiten “Profissões da Saúde: Presente e futuro da profissão de enfermagem em Espanha”, organizado com a Europa Press.
Além disso, Pérez Raya lembrou que seriam necessárias mais de 100.000 enfermeiras na Espanha para igualar a média europeia. “Não se trata de números, que não passam de dados quantitativos, mas é crucial realizar um estudo exaustivo que defina quais perfis de enfermeiras são necessários e para qual território específico”, afirmou.
Em seguida, alertou que as baixas taxas de enfermeiros constituem um “problema enraizado” na Espanha e denunciou também a “injustiça” e a “infâmia” que representa o fato de esses profissionais, apesar de serem graduados universitários, estarem enquadrados na função pública em uma escala que não corresponde ao seu nível de formação e competência.
Nesse sentido, Pérez Raya sublinhou que o novo Estatuto-Quadro propõe um sistema baseado nos níveis académicos do espaço europeu MECES, algo que considera que poderia acabar com este problema. “Defendemos um Estatuto único para todos os profissionais, com suas particularidades, concebendo a equipe de saúde a serviço do paciente”, defendeu. Por outro lado, criticou a “discriminação” que as enfermeiras sofrem por não estarem no grupo A1: “Está ocorrendo um grave prejuízo para os profissionais, com repercussão na saúde e nos pacientes”.
Por último, o presidente do Conselho lembrou que as enfermeiras têm sido “leais e responsáveis” com o sistema, bem como um “pilar básico” para a saúde nos momentos mais difíceis. “Desde o Conselho Geral de Enfermagem, queremos continuar a sê-lo, mas sempre a partir da corresponsabilidade institucional. Queremos fazer parte ativa das soluções, oferecendo diálogo e rigor. Mas não vamos permitir que nos insultem ou assediem no nosso trabalho. Exigimos respeito profissional”, concluiu. LEI DE RÁCIOS ADAPTADA À COMPLEXIDADE
Por sua vez, o secretário-geral do Conselho Geral de Enfermagem, Diego Ayuso, salientou que a nova lei de rácios de enfermeiros deve ajustar os quadros de pessoal à complexidade dos cuidados de saúde, ao mesmo tempo que recordou a falta de enfermeiros que existe em Espanha.
“Há uma falta muito importante de enfermeiros em nosso país, que é histórica, estrutural e exige um planejamento rigoroso para poder enfrentar e resolver esse problema. A proporção que temos na Espanha é de 6,2 enfermeiros por 1.000 habitantes, enquanto na Europa é de cerca de 8,3 enfermeiros por 1.000 habitantes. São necessárias mais 100.000 enfermeiras para atingir a média europeia”, afirmou. Por isso, apostou em realizar uma análise “rigorosa” para melhorar a qualidade dos cuidados, ao mesmo tempo que alertou que, de acordo com estudos, quando as proporções enfermeira-paciente estão abaixo dessa média desejável, a mortalidade aumenta. “Nem todos os centros de assistência precisam de mais enfermeiras, mas, em média, estamos abaixo”, acrescentou.
Em relação aos prazos para a aprovação da lei sobre a proporção de enfermeiras, que está atualmente em tramitação no Congresso, a primeira vice-presidente do Conselho Geral de Enfermagem, Raquel Rodríguez, indicou que a iniciativa está “no bom caminho” e confia que possa ser aprovada ainda este ano.
CERCA DE 1.600 SOLICITAÇÕES DE ENFERMEIRAS PARA TRABALHAR NO EXTERIOR
Rodríguez também alertou sobre a “fuga de talentos” que a profissão sofre na Espanha devido às condições de trabalho. “Se as enfermeiras têm sobrecarga de trabalho, se aumentam os rácios de enfermagem por cuidados aos pacientes e complexidade, se os contratos são muito precários, se há uma situação muito adversa. A fuga de talentos não se limita ao estrangeiro, muitas abandonam mesmo a profissão”, indicou. Em seguida, Ayuso salientou que o Conselho recebeu em 2025 cerca de 1.600 solicitações de enfermeiras para trabalhar no estrangeiro. “Este número aumenta ano após ano. Em 2024, tivemos 1.350 solicitações”, referiu.
Para melhorar esta situação, Ayuso propôs melhorar o desenvolvimento das suas competências. “Muitas enfermeiras vão trabalhar para o estrangeiro porque aqui não se sentem reconhecidas, porque aqui, devido à sua formação académica, com o grau de quatro anos, o mestrado, as especialidades ou os doutoramentos, não se sentem valorizadas”, denunciou. UM ESTATUTO-QUADRO PARA TODOS
Quanto à greve médica contra o Estatuto-Quadro, a presidente do Colégio de Enfermagem de Valência, Laura Almudéver, afirmou que cada coletivo tem o direito de defender seus interesses, mas considera que a greve indefinida, que “está afetando o funcionamento dos centros de saúde”, não é a melhor maneira de fazê-lo.
Nesse sentido, a presidente da Ordem dos Enfermeiros de Palência, Patricia Pérez, apontou que, historicamente, os médicos “sempre se consideraram superiores”, mas ressaltou que os enfermeiros não pretendem ser médicos.
Em seguida, a diretora adjunta da presidência da Ordem Oficial de Enfermagem de Madrid, Mar Rocha, alertou que o sistema de saúde enfrenta “desafios importantes” e que, por isso, é fundamental buscar “coesão”. “Devemos trabalhar junto com os médicos e apostar em um marco multidisciplinar, pois separar por categorias profissionais fragmenta ainda mais o sistema de saúde”, concluiu.
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