CONSEJO GENERAL DE ENFERMERÍA
Os produtos utilizados nessa prática viral nas redes sociais contêm melanotan, um composto não aprovado pelas autoridades sanitárias internacionais
MADRID, 20 maio (EUROPA PRESS) -
O Conselho Geral de Enfermagem alertou sobre os “riscos à saúde” associados ao uso de sprays nasais bronzeadores, “uma prática viral nas redes sociais que causa dores de cabeça e hipertensão”, ao mesmo tempo em que promete “um tom bronzeado rápido sem alertar sobre possíveis efeitos adversos”.
Especificamente, a Unidade de Cultura Científica do Instituto de Pesquisa em Enfermagem dessa corporação de saúde alertou sobre “os perigos de se deixar levar por essa tendência”, por isso lembrou “a importância de tomar decisões em saúde com base em evidências científicas”. Caso contrário, e em relação a esses dispositivos, existe o risco de outros problemas, como náuseas, fadiga e vômitos.
“Nem tudo o que é compartilhado tem respaldo científico e, em questões de saúde, isso pode acabar cobrando seu preço”, afirmou o divulgador científico da referida Unidade, Héctor Nafría, que acrescentou que, “quando a validação social pesa mais do que a evidência, a saúde fica em segundo plano”. “Influenciadores, pressão pelo bronzeado e conteúdo viral estão promovendo práticas sem garantias, e é aí que a desinformação encontra terreno fértil”, sustentou.
Por sua vez, a enfermeira especializada em dermoestética e divulgadora em fotoproteção, Alba Belastegui, alertou que “muitos desses aerossóis, comercializados ilegalmente e frequentemente disfarçados com aromas agradáveis, contêm melanotan, uma substância que imita a ação do hormônio estimulante dos melanócitos”. “Este composto não é aprovado pela Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS) nem por outros órgãos reguladores internacionais”, afirmou.
PRINCÍPIO ATIVO NÃO REGULAMENTADO
Nesse contexto, o Conselho Geral de Enfermagem indicou que “a inalação dessa substância introduz no organismo um princípio ativo não regulamentado, sem controle de dosagem nem garantias de pureza, provocando efeitos sistêmicos que já estão sendo documentados na prática clínica”. “O uso desses dispositivos está associado a episódios de hipertensão arterial grave, cefaleias persistentes, fadiga extrema, bem como quadros recorrentes de náuseas e vômitos”, enumerou a também membro da associação científica Secudemn.
“Do ponto de vista dermoestético e dermatológico, observamos com extrema preocupação como a estimulação artificial e descontrolada da melanina provoca alterações atípicas na morfologia, na pigmentação e no tamanho das pintas pré-existentes”, continuou ela, para acrescentar que “essa atividade displásica não só dificulta o diagnóstico precoce de patologias oncológicas, como também representa um risco celular inaceitável”.
Na opinião de Belastegui, “o bronzeado saudável não existe”. “A mudança no tom da pele é uma resposta de socorro do nosso organismo diante dos danos no DNA celular provocados pela radiação ultravioleta”, explicou, acrescentando que “tentar replicar esse processo por meio de vias químicas sistêmicas e ilegais é uma imprudência”.
Por fim, e após o Conselho Geral de Enfermagem ter assinalado que “a verdadeira prevenção dos danos solares, do fotoenvelhecimento e do câncer de pele baseia-se exclusivamente na educação, na evitação do sol nas horas de máxima radiação, no uso de barreiras físicas e na aplicação rigorosa de fotoprotetores tópicos de amplo espectro”, esta enfermeira pediu que “se priorizem o critério clínico e a evidência científica em detrimento das modas virais”.
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