Publicado 30/07/2026 06:42

Conseguem produzir hidrogênio limpo de forma mais eficiente graças à energia de micro-ondas

Pesquisadores do projeto
CSIC

VALÊNCIA 30 jul. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe da Universidade Politécnica de Valência (UPV), pertencente ao grupo Dimas do instituto Itaca e do Instituto de Tecnologia Química (ITQ), centro conjunto do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e da UPV, desenvolveu um sistema que permite produzir hidrogênio limpo a partir do metano de forma mais eficiente do que os processos convencionais, utilizando para isso energia de micro-ondas.

Esse sistema é capaz de transformar o carbono resultante em nanomateriais com aplicações tecnológicas utilizadas em setores como o de eletrônica. O trabalho foi publicado na revista ACS Sustainable Chemistry & Engineering, informa o CSIC.

A equipe de pesquisadores da UPV, liderada por Jose Manuel Catalá Civera, e do CSIC, liderada por Jose Manuel Serra, demonstra em seu estudo que a energia de micro-ondas permite ativar a reação química para obter hidrogênio limpo a temperaturas muito mais baixas do que as necessárias nos sistemas tradicionais.

Nos testes realizados, os pesquisadores alcançaram conversões de metano de até 80% a apenas 500 °C — metade das temperaturas exigidas pela decomposição do metano com os métodos tradicionais, que geralmente ultrapassam 900-1.000 °C —, mantendo uma produção de hidrogênio com seletividade de 100%.

Ao contrário dos métodos convencionais, que aquecem todo o reator, as micro-ondas concentram a energia diretamente sobre o catalisador. Isso reduz as perdas de energia e torna o processo mais compatível com o uso de eletricidade proveniente de fontes renováveis.

“A maior parte do hidrogênio produzido atualmente no mundo provém do gás natural por meio de processos que liberam grandes quantidades de dióxido de carbono. Nossa tecnologia também utiliza metano, mas o transforma em hidrogênio e carbono sólido por meio de micro-ondas, evitando emissões diretas de CO2 e reduzindo significativamente a energia necessária para realizar a reação. Menos energia consumida, menores custos operacionais e maior eficiência do processo. Essas são as três principais vantagens do nosso sistema”, resume o pesquisador do ITQ, Alfonso Carrillo.

APROVEITAR O CARBONO

Além disso, com o sistema desenvolvido pela equipe, o carbono gerado durante a reação não se transforma em resíduo. Em seu trabalho, os pesquisadores obtiveram diferentes nanoestruturas de carbono, como nanofibras e outras nanoestruturas de carbono de alto valor agregado, utilizadas como componentes em baterias, supercapacitores, materiais compostos para a indústria de transporte, sensores, dispositivos eletrônicos e sistemas de armazenamento de energia.

“Nosso objetivo não era apenas produzir hidrogênio, mas fazê-lo por meio de um processo mais eficiente, que reduza o consumo de energia e transforme o carbono em um recurso útil, em vez de emiti-lo para a atmosfera. E tudo isso é possibilitado pela tecnologia que desenvolvemos em nossos laboratórios, fruto de mais de cinco anos de trabalho”, conclui o pesquisador da Itaca, José Daniel Gutiérrez Cano.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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