MADRID 24 jul. (EUROPA PRESS) -
Um estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) apresenta a primeira caracterização física de Kallichore, uma das menores luas irregulares de Júpiter, e abre caminho para uma possível aproximação da missão JUICE da Agência Espacial Europeia (ESA).
Entre as centenas de luas que orbitam Júpiter está Kallichore, um de seus pequenos satélites irregulares. Localizada a centenas de milhões de quilômetros da Terra e com apenas alguns quilômetros de diâmetro, até agora ela não passava de um ponto de luz observado por telescópios terrestres.
Agora, um estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) e publicado na revista *Nature Astronomy* conseguiu determinar, pela primeira vez, o tamanho, a forma, o brilho e a órbita de Kallichore com uma precisão sem precedentes.
Os resultados, além de fornecerem novos dados sobre a origem desses objetos, constituem um passo fundamental para uma possível aproximação da missão JUICE da ESA, atualmente a caminho de Júpiter para explorar o gigante gasoso e suas luas geladas.
“A importância desse resultado reside no fato de que Kallichore é o único satélite irregular que poderia ser estudado em detalhes pela JUICE em seu caminho para o sistema joviano”, destaca Juan Luis Rizos, pesquisador do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), coordenador do trabalho científico-técnico internacional e líder da publicação.
Acredita-se que as luas irregulares de Júpiter tenham origem em objetos capturados pelo planeta durante os primeiros estágios do Sistema Solar. Posteriormente, esses corpos sofreram colisões que deram origem às diferentes famílias de satélites que observamos atualmente. Esse é o caso de Kallichore, descoberto em 2003 e pertencente à família Carme.
Combinando observações do Telescópio Espacial Hubble, do Grande Telescópio das Canárias (GTC) e de uma campanha internacional de ocultações estelares, a equipe liderada pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) conseguiu a primeira caracterização física detalhada desse pequeno satélite.
O trabalho também mantém uma estreita conexão com a missão europeia JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer, ESA), atualmente a caminho de Júpiter. Luisa M. Lara e Juan Luis Rizos, ambos pesquisadores do IAA-CSIC, fazem parte da equipe científica da missão, o que permitiu identificar, desde o início, as oportunidades e os desafios que um possível sobrevoo de Kallichore representaria.
O principal obstáculo para planejar um sobrevoo próximo a partir do Centro Europeu de Operações Espaciais (ESOC) da ESA era a grande incerteza quanto à posição exata do satélite, que, antes deste estudo, ultrapassava 1.500 quilômetros.
Graças a esse trabalho, a equipe conseguiu reduzir essa incerteza em mais de 80%, para apenas 260 quilômetros — uma melhoria essencial para planejar um possível encontro da sonda com esse pequeno corpo celeste, com um retorno científico excepcional, previsto para outubro de 2031.
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