MADRID 25 maio (EUROPA PRESS) -
As mães que conhecem os benefícios da amamentação para si mesmas e para seus bebês têm mais chances de praticar a amamentação exclusiva, segundo destaca uma pesquisa liderada por uma equipe do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII), realizada pela Escola Nacional de Saúde e pelo Centro Nacional de Medicina Tropical.
O estudo, publicado na revista “International Breastfeeding Journal”, identifica fatores facilitadores e dificultadores da amamentação exclusiva (AE) a partir do acompanhamento, desde o início da gravidez e durante seis meses após o parto, de 83 mães e seus recém-nascidos.
O ISCIII destacou que a amamentação exclusiva é uma das intervenções de saúde pública mais econômicas. Por um lado, ela reduz o risco de infecções durante a infância, favorece o desenvolvimento adequado do bebê e contribui para a saúde materna ao diminuir a probabilidade de desenvolver câncer de mama e de ovário, bem como a incidência de doenças cardiovasculares.
Além disso, diminui os custos com saúde e não gera impacto negativo no meio ambiente, uma vez que se trata de uma forma de alimentação natural e sustentável, ao contrário da produção de leite em pó.
Com base em avaliações realizadas aos 15 dias, ao fim de um mês, aos quatro e aos seis meses após o parto, o estudo conclui que os principais fatores que podem inibir o início e a continuidade da AME são o uso da chupeta desde os primeiros dias de vida, a presença de dor no mamilo durante as primeiras semanas, a percepção materna de não produzir leite suficiente e a existência de antecedentes ginecológicos, como a síndrome dos ovários policísticos ou a infecção pelo vírus do papiloma humano.
Além disso, aponta que dar à luz em um hospital privado sem acreditação da Iniciativa para a Humanização da Assistência ao Parto e à Amamentação (IHAN) também pode ser um fator que iniba a prática da amamentação exclusiva.
FATORES PROTETORES
Entre os fatores protetores, o estudo destaca o conhecimento prévio da mãe sobre os benefícios da amamentação, bem como a nacionalidade estrangeira, especialmente em mulheres provenientes da América Latina, nas quais se mantêm tradições e padrões socioculturais mais favoráveis a essa prática.
Conforme explicaram as autoras da pesquisa, esse fato poderia estar relacionado a uma maior valorização de seus benefícios, ao apoio do ambiente familiar e social e, no contexto do país de destino, ao acesso a serviços de saúde e a recursos de apoio comunitário. O processo de aculturação, entendido como a adaptação progressiva às práticas e recomendações do novo ambiente, pode contribuir para reforçar esses comportamentos e favorecer a manutenção da amamentação exclusiva durante os primeiros seis meses de vida.
As pesquisadoras defenderam o desenvolvimento de políticas públicas e de saúde que promovam a amamentação exclusiva, em linha com a meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que, até 2030, pelo menos 60% dos lactentes recebam amamentação exclusiva até os seis meses de vida.
Atualmente, a taxa mundial situa-se em torno de 48%, sem dados globais consolidados para a Europa. Na Espanha, de acordo com a última Pesquisa de Saúde de 2023, a prevalência da AME aos seis meses atinge aproximadamente 47%, o que representa o valor mais alto registrado até o momento e um aumento de oito pontos percentuais em relação a 2017.
O estudo destaca a importância de que as profissionais de saúde tenham formação e atualização adequadas em aleitamento materno, bem como de garantir que as mães recebam informação e educação durante a gravidez, por exemplo, por meio da educação pré-natal, especialmente no que diz respeito à técnica de aleitamento, à resolução de dificuldades e aos seus benefícios.
Defende também a implementação de práticas hospitalares baseadas em evidências, como o contato pele a pele imediato, o alojamento conjunto e o início precoce da amamentação materna exclusiva, juntamente com experiências pós-parto precoces, como o apoio profissional nos primeiros dias, que considera que podem contribuir para prevenir e abordar dificuldades frequentes, como a dor durante a amamentação ou a percepção materna de uma produção insuficiente de leite.
Este trabalho faz parte de uma tese de doutorado sobre os determinantes da amamentação exclusiva, realizada pela doutoranda Seila Llorente-Pulido e orientada pelas pesquisadoras do ISCIII Laura Otero García, cientista titular da Escola Nacional de Saúde, e Estefanía Custodio Cerezales, cientista titular no Centro Nacional de Medicina Tropical, que também fazem parte do Centro de Investigação Biomédica em Rede (CIBER-ISCIII).
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