Carlos Castro - Europa Press - Arquivo
MADRID, 28 ago. (EUROPA PRESS) -
A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) lançou nesta quinta-feira, a partir do porto espacial europeu na Guiana Francesa, às 22h11 (17h11, horário local) o segundo satélite da terceira geração de satélites meteorológicos da Europa (MTG-I2), conforme informou nesta sexta-feira o órgão europeu.
Segundo a ESA, ele fornecerá dados para a previsão meteorológica na Europa e no norte da África com qualidade, quantidade e frequência “sem precedentes”. “Esses dados reforçarão a confiabilidade dos alertas precoces, bem como o monitoramento de incêndios florestais e da poluição atmosférica. Além disso, melhorarão substancialmente as previsões meteorológicas para todos os países europeus”, destacou a agência.
O satélite traz a bordo dois potentes instrumentos de captura de imagens e será colocado em órbita geoestacionária, observando detalhes a uma grande distância de 36.000 quilômetros (km). De lá, ele enviará imagens de alta resolução da atmosfera sobre a Europa e o norte da África a cada 2,5 minutos, graças ao Flexible Combined Imager.
De acordo com a agência europeia, esse ciclo de repetição tão rápido representa uma mudança “radical” para a previsão meteorológica. Com imagens de alta resolução da atmosfera dessas regiões a cada 2,5 minutos, os meteorologistas poderão acompanhar o rápido desenvolvimento e a evolução dos sistemas meteorológicos com um nível de detalhe sem precedentes. Além disso, serão obtidos dados valiosos para o monitoramento e a compreensão do clima.
Além do Flexible Combined Imager, o MTG-I2 também conta com o Lightning Imager, um instrumento capaz de capturar eventos de raios individuais, tanto de dia quanto de noite. Ele pode ser utilizado para fazer previsões de curto prazo e com grande precisão sobre condições meteorológicas que evoluem rapidamente.
A diretora de Programas de Observação da Terra da ESA, Simonetta Cheli, parabenizou todas as equipes envolvidas que garantiram o desenvolvimento satisfatório desta missão, bem como os parceiros europeus e a indústria, “que alcançaram esse sucesso graças ao seu trabalho árduo, sua extraordinária experiência e sua colaboração”.
“Quero parabenizar a todos. O MTG-I2 traz tecnologia espacial avançada que melhorará a monitorização climática e as previsões meteorológicas na Europa, trazendo benefícios reais aos cidadãos e às comunidades em todo o nosso continente”, destacou ela.
Por sua vez, o diretor do projeto MTG da ESA, James Champion, considerou “fantástico” ver o MTG-I2 decolar e seguir seu caminho para ocupar seu lugar no sistema de três satélites, após “anos de desenvolvimento e últimos meses de intensos preparativos para o lançamento”. Mesmo assim, ele enfatizou que o trabalho da equipe ainda não terminou.
“Continuamos contando com engenheiros e pessoal de operações e sistemas em terra que serão responsáveis por garantir que o satélite siga sua trajetória prevista nas próximas semanas e meses. Mas, por enquanto, estamos todos muito satisfeitos com o sucesso do lançamento e aguardamos com expectativa as próximas duas semanas, aproximadamente, durante as quais serão realizadas manobras de elevação de órbita na fase de lançamento e nas operações iniciais. Em seguida, terá início a entrada em serviço”, ressaltou.
A BORDO DO FOGUETE EUROPEU DE CARGA PESADA ARIANE 6
Mais especificamente, o satélite foi lançado a bordo do foguete europeu de carga pesada Ariane 6, no voo VA270. Este foi o nono lançamento do foguete e o primeiro a levar um satélite à órbita de transferência geoestacionária.
O Ariane 6 foi configurado com dois motores de propulsão sólida baseados no P120C, que o impulsionaram até o ponto mais distante que o foguete já alcançou até o momento. Após o lançamento, o satélite MTG-I2 se separou do foguete Ariane 6 e a comunicação entre a espaçonave e a estação terrestre de Malindi foi estabelecida imediatamente.
Agora, o satélite ativará seu sistema de propulsão e desdobrará seus painéis solares para garantir que a espaçonave possa gerar e armazenar a energia necessária para as próximas fases da missão. Quando estiver alimentado com segurança, a equipe ativará o sistema de controle de atitude e iniciará os preparativos para uma série de manobras orbitais críticas.
Para isso, será utilizado o sistema de propulsão do MTG-I2 com o objetivo de elevar progressivamente o perigeu da espaçonave e ajustar sua trajetória à medida que ela inicia sua viagem rumo à órbita geoestacionária. Uma vez em sua órbita final, o satélite será girado para apontar em direção à Terra. De acordo com a ES, esse marco sinalizará a conclusão da fase de lançamento e das operações iniciais, bem como a transição para a entrada em serviço.
A MISSÃO, EM PLENO FUNCIONAMENTO
No total, a família MTG conta agora com três satélites em órbita. O primeiro, o MTG-Imager, foi lançado em 2022; já o MTG-Sounder foi colocado em órbita no ano passado. O MTG-I2 completa o sistema de três satélites e, assim que entrar em serviço, permitirá que a missão comece a operar em plena capacidade. A partir de 2033, a segunda família de satélites MTG será lançada sucessivamente para prolongar a duração da missão além de 2040.
Assim, o “weather cube” será reforçado, segundo a ESA. Este combinará dados dos satélites Imager e Sounder para criar representações tridimensionais de raios, ventos, dinâmica interna das nuvens e outros gases atmosféricos, incluindo gases de efeito estufa e poluentes atmosféricos.
Os três satélites MTG foram desenvolvidos pela ESA e construídos por um amplo consórcio de empresas europeias liderado pela Thales Alenia Space, tendo a OHB System, na Alemanha, e a Leonardo, na Itália, como principais parceiros. A Eumetsat ficará responsável pela operação dos satélites após a conclusão da entrada em serviço e pela distribuição dos dados científicos.
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