MADRID, 9 abr. (EUROPA PRESS) -
Cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) localizaram a fonte da maior concentração já registrada de um raro isótopo de hélio emitido pelo Sol.
Na imagem ultravioleta extrema do Solar Dynamics Observatory (SDO) acima, a seta azul marca um pequeno ponto brilhante na borda de um buraco coronal (delineado em vermelho) que foi a fonte do fenômeno.
A missão Solar Orbiter da NASA/ESA registrou recentemente a maior concentração já registrada de hélio-3 (3He) emitido pelo Sol. Os cientistas do SwRI procuraram a origem desse fenômeno incomum para entender melhor os mecanismos que impulsionam as partículas energéticas solares (SEPs) que permeiam nosso sistema solar. As SEPs são partículas aceleradas de alta energia, incluindo prótons, elétrons e íons pesados, associadas a eventos solares, como erupções e ejeções de massa coronal.
"Esse isótopo raro, que é apenas um nêutron mais leve do que o 4He, mais comum, é raro em nosso sistema solar; ele é encontrado em uma proporção de cerca de um íon 3He para cada 2.500 íons 4He", disse o Dr. Radoslav Bucik do SwRI, principal autor de um artigo que descreve esse fenômeno, em um comunicado. "No entanto, os jatos solares parecem acelerar preferencialmente o 3He em altas velocidades ou energias, provavelmente devido à sua relação única entre carga e massa." Bucik disse que o mecanismo por trás dessa aceleração permanece desconhecido, mas que ela pode normalmente aumentar a abundância de 3He em até 10.000 vezes sua concentração normal na atmosfera solar, um efeito sem precedentes em qualquer outro ambiente astrofísico conhecido.
Incrivelmente, nesse caso, o Solar Orbiter registrou um aumento de 200.000 vezes na concentração de 3He. Além de sua alta abundância, o 3He acelerou a velocidades significativamente maiores do que as dos elementos mais pesados.
PEQUENO JATO SOLAR
A equipe do SwRI identificou a origem da emissão de 3He. O Observatório de Dinâmica Solar (SDO) da NASA forneceu imagens de alta resolução de um pequeno jato solar na borda de um buraco coronal, uma região onde as linhas de campo magnético se abrem para o espaço interplanetário. Apesar de seu tamanho minúsculo, o jato estava claramente ligado ao evento SEP, disse Bucik.
"Surpreendentemente, a força do campo magnético nessa região era fraca, mais típica de zonas solares calmas do que de regiões ativas", acrescentou. Essa descoberta corrobora teorias anteriores que sugerem que o enriquecimento de 3He é mais provável em plasma fracamente magnetizado, onde a turbulência é mínima.
Além disso, esse evento se destaca como um dos raros casos em que o enriquecimento de íons não segue o padrão habitual. Normalmente, eventos como esse apresentam uma maior abundância de íons pesados, como o ferro. Mas, nesse caso, o ferro não aumentou. Em vez disso, o carbono, o nitrogênio, o silício e o enxofre foram significativamente mais abundantes do que o esperado. Os cientistas observaram apenas 19 eventos semelhantes nos últimos 25 anos, destacando a raridade e a natureza intrigante desse fenômeno.
Embora a Parker Solar Probe da NASA estivesse em um local favorável, estava longe demais para detectar o evento, diz Bucik. Isso ressalta a importância de as espaçonaves operarem mais perto do Sol para detectar mais desses pequenos e intrigantes eventos e fornecer informações valiosas sobre os mecanismos de aceleração dessa população menos conhecida de partículas energéticas em nosso sistema solar.
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