Publicado 15/04/2026 07:48

A comunidade científica propõe um plano de ação global para combater a resistência aos antifúngicos

Archivo - Arquivo - Laboratório
JAVI SANZ/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 15 abr. (EUROPA PRESS) -

Cerca de cinquenta pesquisadores de 16 organizações internacionais propuseram um plano de ação global para melhorar a vigilância e conter o avanço da resistência aos antifúngicos, um problema de saúde pública que dificulta o tratamento de doenças infecciosas causadas por fungos.

“A resistência aos antifúngicos é uma ameaça emergente que já está causando um impacto direto na morbimortalidade dos pacientes”, explicou a cientista do Laboratório de Referência e Pesquisa em Micologia do Centro Nacional de Microbiologia do Instituto de Saúde Carlos III (CNM-ISCIII), Ana Alastruey, signatária do artigo publicado na revista ‘Nature Medicine’.

A iniciativa coloca o foco na atenção às pessoas mais vulneráveis às infecções fúngicas e assenta em cinco pilares. Assim, os eixos do plano incluem conscientização e formação, vigilância, prevenção e controle de infecções, uso otimizado de antifúngicos e investimento em diagnóstico e inovação terapêutica.

Conforme detalhado pelo ISCIII, um número crescente de fungos está desenvolvendo resistências cada vez maiores aos medicamentos, embora o impacto não seja o mesmo para todos os pacientes. Enquanto em pessoas saudáveis essa situação geralmente não tem consequências graves, em pacientes imunodeprimidos pode provocar infecções graves e potencialmente fatais.

Entre as espécies que podem representar uma ameaça maior, destaca-se o 'Trichophyton indotineae', que pode causar infecções graves na pele difíceis de tratar. No ambiente hospitalar, o 'Candidozyma auris' pode provocar infecções graves na corrente sanguínea em pacientes vulneráveis, e um em cada três não consegue sobreviver.

Paralelamente, a resistência do 'Aspergillus fumigatus' aos medicamentos denominados azóis foi detectada em nível global e compromete significativamente as opções terapêuticas disponíveis.

IMPACTO DOS FUNGICIDAS UTILIZADOS NA AGRICULTURA

Ana Alastruey destacou que a abordagem das resistências antifúngicas deve basear-se numa “resposta coordenada” que contemple “a vigilância, o diagnóstico e a prevenção a partir de uma perspectiva ‘One Health’”, ou seja, levando em conta a interseção entre saúde humana, animal e ambiental.

De fato, os especialistas afirmam que a resistência aos antifúngicos não se desenvolve apenas nos hospitais, mas principalmente no meio ambiente.

Os fungicidas utilizados para proteger as culturas contra doenças fúngicas são, em muitos casos, muito semelhantes aos antifúngicos empregados na medicina humana; por isso, seu uso na agricultura favorece a seleção de fungos resistentes, que posteriormente podem causar infecções mais difíceis de tratar nos pacientes.

Esse uso compartilhado de compostos antifúngicos evidencia a estreita interligação entre o meio ambiente, a saúde animal e a saúde humana. Para proteger tanto a segurança alimentar global quanto a eficácia dos tratamentos contra doenças fúngicas, os autores do manifesto destacam a necessidade de realizar colaborações multidisciplinares e multissetoriais, que incluam cientistas, profissionais de saúde, responsáveis políticos e outros atores-chave.

Nesse sentido, eles lembram que, nos últimos anos, foram lançadas algumas iniciativas relevantes, como a lista de patógenos fúngicos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a criação de grupos de trabalho “One Health” em sociedades internacionais de micologia.

No entanto, eles alertam que essas iniciativas devem ser integradas de forma mais eficaz às políticas globais de resistência antimicrobiana.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado