Publicado 22/12/2025 07:14

Compostos do alho aumentam a expectativa e a qualidade de vida em camundongos, segundo estudo

[Comunicacion.Csic.Andalucia] Os compostos Ndp presentes no alho aumentam a expectativa e a qualidade de vida, de acordo com um estudo em camundongos
CSIC

A descoberta sugere novos caminhos para promover um envelhecimento mais saudável

MADRID, 22 dez. (EUROPA PRESS) -

Uma pesquisa espanhola liderada pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha (CSIC) demonstrou que os compostos de enxofre dialílico - moléculas ricas em enxofre presentes em alimentos como alho, cebola e alho-poró, entre outros - têm a capacidade de prolongar a vida de camundongos.

Os resultados, publicados na revista "Cell Metabolism", abrem novos caminhos para o desenvolvimento de tratamentos para manter uma boa qualidade de vida durante o envelhecimento.

Especificamente, essas moléculas estão presentes em plantas da família "Allium", embora a pesquisa tenha se concentrado nos compostos presentes no alho. Foi demonstrado que essas moléculas retardam vários efeitos negativos do envelhecimento e aumentam a expectativa e a qualidade de vida em camundongos machos jovens e idosos.

A equipe também observou que, após a adição de sulfatos de dialila à dieta desses ratos, houve melhorias no funcionamento da insulina, que é fundamental para regular o metabolismo e prevenir doenças, e nos mecanismos de sinalização celular envolvidos no envelhecimento.

"O que observamos é que esses compostos causam alterações nos mecanismos que modulam várias das vias biológicas envolvidas na progressão do envelhecimento. As evidências nos dizem que esses mecanismos, presentes tanto em animais quanto em seres humanos, são fundamentais para viver mais e com melhor qualidade de vida, embora sejam necessárias mais pesquisas antes de extrapolar esses resultados para os seres humanos", explicou María Ángeles Cáliz, primeira autora do estudo e pesquisadora do CSIC no CABIMER, o Centro Andaluz de Biologia Molecular e Medicina Regenerativa (CSIC-US-UPO-JA).

Além disso, nos camundongos do estudo, essas moléculas melhoraram algumas alterações características de doenças neurodegenerativas, musculoesqueléticas e metabólicas, como a doença de Alzheimer, a sarcopenia e o diabetes tipo 2. De interesse especial é seu papel na regulação da metainflamação, uma inflamação crônica de baixo grau associada a distúrbios metabólicos, como obesidade e hiperglicemia.

"Os resultados são promissores, e o fato de serem compostos de origem natural que já fazem parte da dieta é um ponto a favor, mas ainda temos muito trabalho pela frente para conhecer o verdadeiro potencial desses compostos na melhoria da saúde humana. São necessárias mais pesquisas, tanto em modelos animais quanto em seres humanos, antes de podermos recomendar seu uso", conclui o cientista do CSIC Alejandro Martín-Montalvo, autor sênior do estudo e também pesquisador do CABIMER, onde dirige um grupo de pesquisa dedicado ao estudo de intervenções metabólicas para o envelhecimento saudável.

EFEITOS ANTIOXIDANTES QUE RETARDAM O ENVELHECIMENTO

Os compostos de dialil enxofre são compostos orgânicos de enxofre encontrados naturalmente não apenas no alho, mas também, embora em menor escala, em outros vegetais da família "Allium", como cebola e alho-poró. Além de influenciar o aroma e o sabor, eles são responsáveis por vários benefícios à saúde.

Assim como acontece com a cebola, quando o alho é dividido ou mastigado, ele libera compostos de enxofre dialílico. Eles atuam como antioxidantes, protegendo as células contra os danos causados pelos radicais livres (moléculas instáveis responsáveis pelo envelhecimento celular, entre outros) e induzindo a produção de sulfeto de hidrogênio, um transmissor que atua como um interruptor nas vias biológicas relacionadas ao envelhecimento.

"Sabíamos da importância dessas vias para a longevidade, mas não conhecíamos o efeito da indução desse transmissor em mamíferos. Com esse estudo, demonstramos que, pelo menos em camundongos, podemos usar esses compostos para impulsionar esses mecanismos e melhorar a expectativa e a qualidade de vida", explica Martín-Montalvo, que, além de pesquisador do CSIC, faz parte da área de Diabetes e Doenças Metabólicas Associadas do CIBER.

UM CAMINHO PROMISSOR PARA UM ENVELHECIMENTO MAIS SAUDÁVEL

Embora o estudo tenha sido realizado em camundongos e, portanto, não seja diretamente aplicável a seres humanos, os pesquisadores o consideram um caminho promissor de trabalho.

De fato, o trabalho inclui um estudo observacional em humanos, realizado em colaboração com o Hospital Virgen del Rocío, em Sevilha, que revelou que as pessoas que tinham maior força muscular, melhor perfil de triglicerídeos e menor propensão a sofrer algumas alterações neurocognitivas eram justamente aquelas que haviam aprimorado alguns dos mecanismos sobre os quais esses compostos de alho agem.

"O risco de doenças neurodegenerativas, musculoesqueléticas e metabólicas aumenta com a idade. Mais da metade das pessoas idosas não tem uma qualidade de vida ideal. Nesse contexto, o desenvolvimento de terapias destinadas a retardar ou prevenir o aparecimento de doenças crônicas relacionadas à idade tornou-se uma prioridade global. A capacidade desses compostos de modular aspectos relevantes dessas doenças nos incentiva a continuar nossa pesquisa", conclui Martín-Montalvo.

A pesquisa, liderada pelo CABIMER (Centro Andaluz de Biologia Molecular e Medicina Regenerativa), contou com a participação do Instituto de la Grasa (IG-CSIC), do Instituto de Bioquímica Vegetal e Fotosíntese (IBVF, CSIC-US), do Centro de Investigação Príncipe Felipe, do Departamento de Medicina Interna do Hospital Virgen del Rocío, da Cleveland Clinic e da área de Diabetes e Doenças Metabólicas Associadas do CIBER.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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