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MADRID 11 mar. (EUROPA PRESS) -
O Centro Nacional de Investigação Oncológica (CNIO), o Hospital 12 de Outubro, a Universidade Carlos III e as empresas TNC e eB2 lançaram o ensaio clínico LUMINOVA, que tem como objetivo observar o efeito de uma dieta personalizada, tanto no metabolismo, no microbioma e na qualidade de vida de pacientes com câncer metastático de mama ou ginecológico, quanto na eficácia do tratamento.
“Há evidências de que a eficácia das terapias oncológicas pode ser alterada por fatores como exercício físico, estado emocional ou dieta”, afirma o chefe da Unidade de Investigação Clínica do Câncer de Mama do Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas (CNIO), Miguel Ángel Quintela.
Nesse sentido, Luis Manso, oncologista do Hospital 12 de Outubro e do Grupo de Câncer de Mama e Ginecológico do i+12, destaca que o LUMINOVA é “um dos primeiros estudos que concebe a nutrição personalizada não como um complemento, mas como uma intervenção ativa em pacientes com câncer avançado submetidos a terapias de última geração”.
Manso acrescenta que “o estudo abre novas perspectivas para uma oncologia de precisão que não se limita a considerar o tumor e os medicamentos, uma vez que incorpora o metabolismo, a microbiota e o ambiente biológico individual de cada paciente. Integra qualidade de vida, saúde emocional e toxicidade percebida como objetivos principais”.
Este estudo será desenvolvido no Hospital 12 de Outubro e recrutará pacientes com tumores mamários ou ginecológicos tratados com ADCs, anticorpos conjugados a fármacos. Com os dados clínicos de cada paciente, um algoritmo irá gerar diretrizes sobre a sua necessidade de determinados micro e macronutrientes.
Este algoritmo foi desenvolvido a partir do conhecimento científico existente sobre a relação entre nutrição, câncer e os inúmeros fatores que variam em cada paciente: o tipo de mutações dos tumores, aberrações metabólicas, intervenções que demonstraram eficácia pré-clínica ou clínica, alterações do microbioma, etc. A DIETA PODE SER AJUSTADA AO LONGO DO TEMPO
Neste ensaio, são aplicadas “ferramentas de IA, metabolômica e análise avançada de imagem, juntamente com um sistema de lembretes com o qual mitigamos parcialmente essas limitações. Assim, aproveitamos o que as novas tecnologias oferecem para garantir a boa metodologia de um ensaio deste tipo”, afirma Quintela.
O ensaio criará aleatoriamente dois grupos de pacientes: um de controle, que receberá uma dieta mediterrânea, e um grupo experimental, que receberá a dieta personalizada. Será um nutricionista que irá conceber a dieta personalizada a partir das diretrizes geradas pelo algoritmo, tendo também em conta as preferências individuais e possíveis necessidades por outras patologias. Essa dieta poderá ser ajustada ao longo do tempo. Cada participante permanecerá voluntariamente no ensaio até que seja necessário modificar o tratamento devido ao desenvolvimento da doença. O acompanhamento será feito com análises periódicas; dispositivos que coletarão parâmetros como níveis de glicose, atividade física, ritmo circadiano e qualidade do sono; e um aplicativo que registrará os nutrientes ingeridos por meio de fotografias das refeições, além dos sintomas e níveis percebidos de estresse.
Essa metodologia tenta amenizar os fatores que até agora limitavam os estudos sobre dietas: a dificuldade de monitorar se a dieta está sendo cumprida; e o problema de distinguir se os efeitos alcançados se devem à mudança na dieta ou às características individuais de cada paciente.
Este ensaio é realizado com o apoio do programa RETOS de colaboração público-privada da Agência Estatal de Pesquisa, vinculada ao Ministério da Ciência, Inovação e Universidades.
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