MADRID 21 maio (EUROPA PRESS) -
A Unidade de Câncer Familiar do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer da Espanha (CNIO) informou que estuda mais de 600 casos de pessoas com risco de câncer hereditário todos os anos.
Desses 600 casos, 30% são pessoas saudáveis com um membro da família com câncer no qual foi identificada uma alteração genética que aumenta o risco da doença.
"Se uma pessoa sabe que é portadora de uma mutação que aumenta o risco de câncer, ela pode tomar decisões para ajudar a prevenir a doença. Uma dessas decisões pode ser, em alguns tipos de câncer, a remoção preventiva de um órgão que ainda está saudável; outra decisão, mais frequente, é entrar em programas de acompanhamento para detectar o câncer o mais cedo possível", explica a chefe da Unidade de Câncer Familiar do CNIO, María Currás.
O CNIO ressalta que um câncer pode ser suspeito de ter um componente hereditário quando aparece em uma idade precoce - por exemplo, câncer de cólon com menos de 50 ou 55 anos de idade, ou câncer de mama com menos de 40 anos de idade -, quando a pessoa desenvolve múltiplos tumores ou quando vários membros da família têm o mesmo tipo de câncer ou tipos relacionados.
Esses tumores representam de 10 a 15% de todos os casos de câncer (o restante se deve a fatores ambientais e de estilo de vida, como tabagismo, consumo de álcool, dieta não saudável e exposição à radiação).
Em muitos deles, entre 5 e 10% de todos os casos de câncer, a mutação causadora é conhecida e pode ser detectada com um exame de sangue. "Considerando que só na Espanha há quase 300.000 novos diagnósticos de câncer por ano, todos os anos milhares de pessoas poderiam tomar medidas preventivas adequadas ao seu maior nível de risco se soubessem que são portadoras de mutações hereditárias de câncer", alerta o CNIO.
A Espanha tem 180 clínicas de câncer familiar distribuídas em hospitais, de acordo com dados da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica. Alguns desses especialistas em câncer hereditário falaram em um curso recente no CNIO sobre como eles tentam se manter à frente da doença.
A sequência mais comum de seu trabalho, explicaram, é a seguinte. A oncologia e outras especialidades solicitam à clínica de câncer familiar que avalie o paciente e seu histórico familiar de câncer; se um estudo genético encontrar uma mutação hereditária de câncer, a árvore genealógica do paciente indicará "quais parentes devem ser estudados e em que ordem", diz Currás.
Os pais, descendentes e irmãos com risco de ter herdado a mutação, que são informados pelo paciente, podem ir à clínica e, depois de receber o aconselhamento genético correto, também se submeter ao estudo que determinará se são portadores.
Currás, que trabalha no Hospital Universitário de Fuenlabrada, associado ao CNIO, diz que em 2024 o centro detectou cerca de 29 mutações em genes que "implicariam uma possível cirurgia preventiva, no caso de afetar as mulheres", ressalta, acrescentando que "ter identificado esses portadores tem um efeito cascata, pois também poderia beneficiar seus familiares".
"MAIS CONSCIENTIZAÇÃO ENTRE A POPULAÇÃO".
De acordo com Rafael Morales, chefe da seção de oncologia médica do Hospital Universitario La Mancha Centro, em Alcázar de San Juan (Ciudad Real), as consultas de câncer familiar também são frequentadas por pessoas que acreditam estar em risco, porque consideram que há muitos casos de câncer em sua família.
Para Morales, isso deveria ser mais comum: "Qualquer pessoa que saiba que há vários casos de câncer em sua família deve procurar seu médico de atenção primária para uma avaliação inicial. Se suspeitarem que podem ser uma pessoa ou família com alto risco de predisposição hereditária ao câncer, serão encaminhados a uma unidade de aconselhamento genético para um estudo mais aprofundado".
Quando chega um caso em que a mutação causadora não foi identificada anteriormente, os especialistas começam a tarefa de investigação: "É muito comum que as informações sejam confusas e incompletas: sabe-se que este ou aquele parente morreu de câncer, mas não o tipo, ou a idade é desconhecida. Nem sempre podemos ajudar", diz Juana María Cano, oncologista do Hospital General Universitario de Ciudad Real.
Muitas vezes, o estudo genético não é indicado; sabe-se de antemão que seu resultado não fornecerá informações relevantes e pode até gerar uma falsa sensação de segurança: "Há casos em que se suspeita que pode haver uma causa genética, mas não conseguimos identificá-la", diz Cano. "Não há mutação conhecida, mas isso não significa que ela não exista", acrescenta.
Essas famílias ainda poderiam participar de programas de acompanhamento que ajudariam a detectar um possível câncer o mais cedo possível. Por isso, diz Morales, "é importante conscientizar a população".
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