Publicado 23/06/2025 06:16

CNIO descobre biomarcadores que preveem quais pacientes não responderão à quimioterapia contra o câncer

Archivo - Arquivo - Quimioterapia, câncer, tratamento oncológico
FATCAMERA/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 23 jun. (EUROPA PRESS) -

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer da Espanha (CNIO) descobriram biomarcadores que preveem quais pacientes não responderão à quimioterapia contra o câncer; seu uso permitirá evitar efeitos colaterais e aplicar um tratamento mais eficaz.

A pesquisa, publicada na revista Nature Genetics, é liderada por Geoff Macintyre, chefe do Grupo de Oncologia Computacional do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer da Espanha (CNIO), que, em colaboração com a Universidade de Cambridge e a empresa Tailor Bio, desenvolveu um método que prevê em quais pacientes os tratamentos padrão com quimioterápicos comumente usados, baseados em compostos de platina, taxanos e antraciclinas, não serão eficazes.

"Descobrimos uma maneira de fazer medicina de precisão com quimioterapias padrão", diz Macintyre, que realizou o trabalho com os pesquisadores do CNIO Joe Sneath Thompson e Bárbara Hernando, e Laura Madrid, da Tailor Bio, como primeiros autores.

A quimioterapia tem como objetivo matar as células tumorais usando medicamentos e tem sido um tratamento comum contra o câncer há décadas. No entanto, nem sempre apresenta bons resultados. "As quimioterapias são boas para alguns pacientes, mas não são eficazes em todos os casos. Entre 20% e 50% dos pacientes com câncer não respondem a esses medicamentos", diz Macintyre, que ressalta que "esses pacientes sofrerão efeitos colaterais causados pela quimioterapia, sem nenhum benefício clínico".

"É importante ressaltar que nosso estudo apresenta biomarcadores que permitem a estratificação de pacientes quando são usadas várias quimioterapias não desenvolvidas originalmente como terapias direcionadas", escrevem os pesquisadores.

"Desenvolvemos um teste genômico que permite que três quimioterapias padrão sejam usadas de forma direcionada, ou seja, em pacientes que sabemos que podem responder a elas", explica Thompson. "Esse teste pode ser aplicado a diferentes tipos de câncer; nossos resultados podem beneficiar algumas centenas de milhares de pacientes por ano", acrescenta.

TESTE PARA LEVAR A TECNOLOGIA À CLÍNICA

Depois que os biomarcadores foram desenvolvidos, a equipe do CNIO testou seus biomarcadores de uma forma inovadora: com um ensaio emulado, ou seja, com dados existentes. Os autores usaram uma grande quantidade de dados de pacientes com câncer que já haviam sido tratados com as quimioterapias analisadas no estudo.

Especificamente, o grupo trabalhou com dados de 840 pacientes com diferentes tipos de câncer. "Usamos dados de pacientes com cânceres de mama, próstata, ovário e sarcoma", diz Hernando. Dessa forma, eles conseguiram demonstrar a eficácia dos biomarcadores de resistência que propõem para alguns dos três tipos de quimioterapia avaliados - baseados em compostos de platina, taxanos e antraciclinas.

Para levar esse conhecimento à clínica, a tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores do CNIO deve agora ser validada em um ambiente hospitalar. O grupo já recebeu financiamento para isso do Ministério da Transformação Digital e do Serviço Civil.

Esse projeto, em colaboração com a empresa spin-off Tailor Bio e o Hospital Universitário 12 de Octubre (H12O), avaliará a integração da tecnologia no sistema de saúde por meio da análise de amostras já disponíveis de pacientes. Isso demonstrará que a tecnologia está pronta para ser usada em testes clínicos em 2026.

"Levar um biomarcador da fase de descoberta para a clínica geralmente não é simples. Mas com persistência e colaboração, é possível transformar um projeto de pesquisa em uma tecnologia com promessa clínica real", diz Macintyre.

RECONHECIMENTO DE TUMORES INDIVIDUAIS POR ALTERAÇÕES CROMOSSÔMICAS

O método desenvolvido pela equipe do CNIO baseia-se no fato de que muitos tumores acumulam alterações ou mudanças no número de cromossomos em suas células. Uma consequência, explica Laura Madrid, é que "as células cancerosas não têm a quantidade certa de material genético".

Essas alterações são diferentes em cada tumor, de modo que, juntas, formam um padrão característico, uma assinatura de instabilidade cromossômica. O estudo agora publicado desenvolve biomarcadores com base nessas assinaturas de instabilidade cromossômica.

Esses biomarcadores possibilitam "detectar antecipadamente quais pacientes são resistentes a esses tratamentos, de modo que possam ser escolhidos tratamentos alternativos e mais eficazes, evitando assim efeitos colaterais desnecessários", explica Macintyre.

O uso preciso da quimioterapia beneficia não apenas os pacientes, mas o sistema como um todo: ao reduzir os gastos com terapias ineficazes e com o tratamento de complicações relacionadas aos efeitos colaterais da terapia, os custos de saúde são reduzidos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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