Publicado 08/06/2026 07:16

O CNE alerta para o aumento da incidência de DSTs emergentes, como a hepatite A e a shigelose, com casos multirresistentes

Archivo - Arquivo - Cena romântica de um casal.
PEOPLEIMAGES/ISTOCK - Arquivo

MADRID 8 jun. (EUROPA PRESS) -

Victoria Hernando, membro da Unidade de Vigilância do HIV, ITS e hepatite B e C do Centro Nacional de Epidemiologia (CNE), Victoria Hernando, alertou para o aumento da incidência de infecções sexualmente transmissíveis emergentes, como a hepatite A e a shigelose, sendo que esta última apresenta casos multirresistentes.

“Em nível europeu, o que me preocupa em relação à shigelose é a detecção de casos de Shigella multirresistente e extremamente resistente”, afirmou durante a ‘Jornada de Sensibilização e Atualização sobre Infecções de Transmissão Sexual’, realizada nesta quarta-feira, em Madri, pelo Ministério da Saúde.

A respeito das ISTs “emergentes ou reemergentes”, Hernando destacou que “a principal via de transmissão não é a sexual, mas pode haver outras vias principais”, embora “a via sexual possa ser importante”. Nesse sentido, ele citou “o exemplo da mpox”, que “é uma infecção zoonótica” que surgiu “como um surto no ano de 2022”.

Assim, “ocorreram na Espanha mais de 7.500 casos”, continuou ele, para salientar, no entanto, que os casos registrados nos anos subsequentes “são muito menores”. Este não é o panorama da shigelose que, embora seja conhecida “desde os anos 80”, desde 2021 “tem havido um aumento dos casos”, explicou, em seguida, declarou que, em 2024, um total de “3,8 casos eram de homens para cada mulher”, com “maior incidência no caso dos homens entre 20 e 44 anos”.

Nesse contexto, ele expôs que, “desde o ano de 2023, foram identificados sete clusters com 2.300 casos em 12 países da União Europeia (UE), no Reino Unido e nos Estados Unidos, o que indica que há uma transmissão contínua, prolongada e sustentada”. "Nesses clusters, foram identificadas diferentes cepas de Shigella multirresistentes e extremamente resistentes", insistiu.

O ECDC OFERECE RECOMENDAÇÕES

Diante dessa situação, o Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) emitiu um relatório com “uma série de diretrizes para as autoridades de saúde pública, a fim de que se dê mais atenção a esse tipo de cepa”, continuou, acrescentando que o objetivo é “melhorar a vigilância microbiológica e a investigação de surtos”, bem como “promover estratégias de comunicação”.

Além disso, Hernando indicou que “outra dessas infecções que surge regularmente é a hepatite A”. “Sabemos, já há algum tempo, de surtos importantes de hepatite A que ocorreram por via de transmissão sexual”, e é que "em nosso país, parecia que até 2020 havia uma queda no número de casos, mas a partir de 2023 voltamos a observar um aumento", destacou.

Nesse sentido, ele especificou que esse “aumento” é “mais acentuado na proporção de casos entre homens”. “Em 2024, a proporção homem-mulher foi de 2,3 casos em homens para cada mulher, com um aumento muito significativo da incidência acumulada em pessoas com menos de 45 anos”, destacou, insistindo que, apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimar em 30 o número de patógenos de infecção por via sexual, “ela inclui outros transmitidos por via alimentar, mas que também são suscetíveis de infecção por via sexual”.

Em seguida, ele detalhou os dados mais recentes sobre ISTs na Europa e na Espanha, referentes a 2024, entre os quais destacou o aumento observado na incidência de gonorreia — na qual “a Espanha é um dos países com taxas mais elevadas” — e sífilis. Assim, no que diz respeito à primeira IST, no âmbito comunitário e desde 2015, o crescimento foi de “303%”, sendo de “110%” na segunda, observou.

A CLAMÍDIA, PORÉM, ESTÁ EM DECLÍNIO

No entanto, ele indicou que, no caso da clamídia, observou-se “uma redução de 6% na última década”, mas os números voltam a ser negativos no linfogranuloma venéreo, com um aumento de 250%, e na sífilis congênita, com “243% a mais”, o que é “preocupante”.

No entanto, “podemos concluir que as ISTs são um problema de saúde pública em nível global”, resumiu Hernando, enquanto a principal especialista em ISTs do ECDC, Lina Nerlander, que participou por meio de um vídeo, apelou à ação dos países “em diferentes níveis” nessa área, já que “os níveis são muito mais altos do que antes da pandemia”.

Por isso, recomendou “uma ação estratégica”, pois os governos devem ter “uma estratégia nacional de ISTs baseada em dados recentes” para garantir “que seja desenvolvido um plano de ação” em conjunto com “diferentes consultores, clínicos, laboratórios, autoridades de saúde pública, mas também com a sociedade civil”. “A estratégia da Espanha é de 2021, o que é ótimo, mas muitos países têm uma estratégia mais antiga”, expôs.

É necessário “conscientizar” de que as ISTs “são relevantes hoje”, insistiu, ao mesmo tempo em que afirmou que é oportuno “usar preservativo”, sobretudo com novos parceiros e se se tiver vários deles. Por fim, pediu que se “melhore o acesso” ao diagnóstico e ao tratamento, este último “a baixo custo ou gratuito”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado