MADRID 20 maio (EUROPA PRESS) -
O chefe do Departamento de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital Ruber Internacional, Dr. Pablo Gallo González, alertou na terça-feira que o pé diabético, uma das complicações mais graves e frequentes do diabetes, causa a amputação de um membro a cada 30 segundos em todo o mundo.
"Estamos falando da principal causa de amputação não traumática no mundo. A cada 30 segundos, alguém perde um membro total ou parcialmente em decorrência disso", disse o Dr. Gallo.
O primeiro sinal de alerta, de acordo com o especialista, é o aparecimento de uma úlcera ou lesão em um ou ambos os pés, que pode ser acompanhada de formigamento, cãibras, dor intensa ou perda de sensibilidade. A combinação de falta de suprimento de sangue e infecção pode multiplicar o risco de amputação.
"Uma úlcera que não recebe sangue suficiente não cicatriza, infecciona e pode levar à amputação parcial ou total", acrescentou o especialista, que explicou que, quando há doença vascular periférica, o paciente pode sentir dor ao caminhar, mesmo em repouso, e o pé pode parecer pálido, frio, sem pulso palpável, e a ferida pode não sangrar, mesmo que seja profunda.
Quando infectado, pode haver odor fétido, secreção purulenta, febre e mal-estar geral, sintomas que indicam uma "emergência médica" e que "não devem esperar" pelo tratamento, que pode incluir técnicas endovasculares (minimamente invasivas) ou cirúrgicas abertas e, em alguns casos, uma combinação das duas.
"Se o suprimento de sangue for insuficiente, a ferida não cicatrizará. Nesses casos, consideramos técnicas de revascularização para levar mais sangue ao pé", explicou, argumentando em seguida que, no caso de infecção profunda, será necessária a internação hospitalar, a limpeza cirúrgica e o uso de antibióticos de amplo espectro.
Apesar de tudo, ele afirmou que é possível prevenir a infecção quando ela é detectada a tempo e tratada adequadamente, sendo que a chave é a educação do paciente, de sua família e dos profissionais de saúde.
"O pé diabético não aparece de um dia para o outro. É o resultado de anos de controle metabólico deficiente, falta de cuidados com os pés, tabagismo, hipertensão, colesterol alto, obesidade e um estilo de vida sedentário", disse ele.
Ele também enfatizou a importância de fazer um check-up diário dos pés; cortar as unhas com cuidado; hidratar a pele; manter a higiene adequada; usar calçados apropriados; manter um controle "rigoroso" da glicose, do colesterol e da pressão arterial; evitar o fumo; manter uma dieta saudável; e ser fisicamente ativo.
"A neuropatia impede que o paciente sinta pequenos ferimentos, e a isquemia impede que eles cicatrizem. Portanto, um pequeno ferimento pode se transformar em uma úlcera crônica com risco de infecção e amputação", alertou o especialista.
Por fim, ele insistiu que o pé diabético "não é uma condenação inevitável", e que a prevenção, a educação e o tratamento podem evitar amputações e melhorar a qualidade de vida desse tipo de paciente.
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