MADRID 22 abr. (EUROPA PRESS) -
O membro do Comitê de Ensino e Educação Continuada da Sociedade Espanhola de Cirurgia Torácica (SECT), Dr. Jon Zabaleta, pediu a implementação de uma triagem "pública e universal" do câncer de pulmão, que permitiria detectar nódulos desse tumor nos estágios iniciais e reduzir a mortalidade em até 20%.
A adoção desse tipo de programa facilitaria a detecção de nódulos milimétricos por meio de exames de tomografia computadorizada de baixa dose, quando eles ainda não apresentam sintomas, o que não só reduziria as mortes causadas por essa doença, mas também seria uma opção econômica, conforme destacou Zabaleta, que também é cirurgião torácico do Hospital Universitário de San Sebastián.
"O surgimento e o desenvolvimento da TC de baixa radiação têm sido uma ótima notícia para os defensores do rastreamento. A TC possibilita a detecção de nódulos de tamanho milimétrico que geralmente não são malignos, mas que exigem acompanhamento para confirmar que não são malignos. Isso significa ter que repetir uma TC de tórax várias vezes no mesmo paciente. Com as antigas TCs, havia o medo de tumores gerados pela radiação emitida pelas TCs, mas com as novas TCs, esse risco diminuiu muito e é seguro repetir a TC em pacientes diagnosticados com pequenos nódulos", disse ele.
Depois disso, ele lamentou que atualmente apenas 30% dos casos diagnosticados possam ser operados, no âmbito do II Curso de Competências Clínicas e Cirúrgicas em câncer de pulmão.
"Embora nos últimos anos estejamos experimentando uma revolução no tratamento graças aos bons resultados da imunoterapia, acreditamos que é essencial aumentar o número de pacientes que podem ser submetidos à cirurgia e, para isso, é essencial diagnosticar os pacientes em um estágio anterior. Nesse contexto, a implementação de um programa de triagem é essencial, pois vários estudos demonstraram uma redução na mortalidade por câncer de pulmão graças à triagem", acrescentou.
Os programas de rastreamento devem ser usados para incentivar os fumantes a parar de fumar e a se submeter a testes de função respiratória para detectar outras doenças associadas ao tabagismo.
O Dr. Zabaleta enfatizou que os planos de rastreamento devem ser acompanhados por campanhas de prevenção, que nesse caso devem se concentrar no consumo de tabaco, e considerou essencial lançar esse tipo de mensagem entre os jovens e adolescentes para que eles não comecem a fumar, o que pode reduzir a incidência de câncer de pulmão.
A VIABILIDADE DA IMPLEMENTAÇÃO DO RASTREAMENTO DO CÂNCER DE PULMÃO
Para demonstrar a viabilidade da implementação desse tipo de rastreamento no Sistema Nacional de Saúde (SNS), o especialista lembrou o lançamento do Projeto CASSANDRA, promovido pela Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR) e do qual a SECT participa junto com mais de vinte hospitais e centros de saúde, buscando oferecer educação, prevenção, diagnóstico e cessação do tabagismo, tudo com foco no indivíduo.
"Essa visão centrada no paciente tem várias linhas de ação, incluindo a integração da cessação do tabagismo na triagem, a realização de testes respiratórios funcionais e o uso de todas as informações fornecidas pela tomografia computadorizada de baixa dose para completar uma avaliação global do fumante ou ex-fumante", disse ele.
O programa também defende que as pessoas a serem incluídas na triagem devem ser fumantes ativos ou aqueles que pararam de fumar nos últimos 15 anos, com idade entre 50 e 75 anos, com uma taxa cumulativa de mais de 20 anos-maço.
Zabaleta defendeu a relação custo-benefício do rastreamento na Espanha, com base no estudo europeu NELSON, que estabelece um custo de 2.345 euros por ano de vida ajustado à qualidade (QALY), em linha com os custos de outros programas já financiados na Espanha, como o rastreamento do câncer colorretal (2.154 euros/QALY), do câncer de mama (15.000 euros/QALY) ou do câncer do colo do útero (18.646 euros/QALY).
"Além de ser custo-efetivo, devemos ter em mente que não estamos avaliando o impacto da triagem na cessação do tabagismo e não apenas na saúde pulmonar, mas também em problemas circulatórios, renais ou esofagogástricos. Por todos esses motivos, nós, profissionais da área de câncer de pulmão, acreditamos que já deveríamos ter um sistema de rastreamento público e universal", disse o especialista.
Apesar de todos esses benefícios, ele ressaltou que há desafios e aspectos a serem melhorados em relação aos resultados observados nos estudos sobre rastreamento, após o que destacou que é necessário eliminar o "estigma" associado ao câncer de pulmão, pois, por estar tão intimamente ligado ao tabaco, muitas vezes há desconfiança em "gastar mais dinheiro porque o paciente pediu".
Nesse sentido, ele ressaltou que o câncer de pulmão não é exclusivo de fumantes ou ex-fumantes, portanto, também é importante saber quais não fumantes devem ser examinados.
"A SECT considera que o Sistema Nacional de Saúde (NHS) está pronto para assumir um programa de rastreamento populacional, embora caiba aos Departamentos de Saúde das Comunidades Autônomas tomar a iniciativa de implementá-lo", concluiu o Dr. Zabaleta.
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