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MADRID, 27 abr. (EUROPA PRESS) -
O cineasta argentino e vencedor de dois Prêmios Goya, Adolfo Aristarain, faleceu neste domingo em Buenos Aires aos 82 anos, segundo informou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas da Espanha.
Aristarain (Buenos Aires, 1943) viveu durante sete anos na Espanha, onde filmou alguns de seus trabalhos mais notáveis, desenvolvendo assim um vínculo com o cinema espanhol. Isso o levou a ganhar o Goya de Melhor Filme Ibero-americano por “Un lugar en el mundo” e o de Melhor Roteiro Adaptado por “Lugares comunes”.
Além disso, recebeu a Medalha de Ouro da Academia de Cinema em 2024. “O cinema é uma profissão impiedosamente traidora para quem a exerce. Mesmo que se tente esconder quem se é, mais cedo ou mais tarde o diretor expõe sua alma sem querer em primeiro plano. O cinema que se faz é o que se é”, disse ele na época.
Em um comunicado, a Academia de Cinema o lembrou como um “criador fundamental para as filmografias argentina e espanhola das últimas décadas”. “Aristarain pertence a uma geração que viveu o cinema: eles se apaixonaram por mulheres fantásticas, se sentiram heróis, puderam mentir e matar sem punição”, destacou a instituição.
Nascido no bairro porteño de Parque Chas, o cinema chegou muito cedo à sua vida por meio dos filmes que assistia ao sair da escola nas salas de sessão contínua. Ele se destacou como cineasta trabalhando nas filmagens como assistente, técnico de som, montador, assistente de produção, assistente de direção e até mesmo atuou diante das câmeras em ‘Dar la cara’, filme de José Martínez Suárez.
Da mesma forma, auxiliou na direção seu grande amigo Mario Camus, com quem também escreveria roteiros; bem como Vicente Aranda, Sergio Leone, Lewis Gilbert, Gordon Flemyng ou Sergio Renán, entre outros. Além disso, trabalhou com Kathy Saavedra, que participou de quase todas as suas histórias.
Devoto de John Ford e de Alfred Hitchcock, Aristarain contou histórias cheias de vida, evocativas, sensíveis e brilhantes, com os rostos de atores de destaque como Federico Luppi, José Sacristán, Mercedes Sampietro, Eusebio Poncela, Aitana Sánchez-Gijón, Cecilia Roth, Juan Diego Botto e Susú Pecoraro.
O autor de 'Tiempo de revancha', 'La ley de la frontera', 'Martín (Hache)' e 'Roma' — sua última produção — é o primeiro diretor argentino a receber a Medalha de Ouro da Academia de Cinema “por ser um dos nomes fundamentais da história do cinema em espanhol, destacado representante do cinema argentino, que tanto contribuiu para a nossa cinematografia”. Uma distinção que ele entendeu ter muito a ver com a amizade e com sua maneira de ser, que era uma Medalha muito mais pessoal do que um prêmio por seus filmes.
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