MADRID 24 ago. (EUROPA PRESS) -
Cientistas caracterizaram com grande detalhe o OP313, o blazar de altíssima energia mais distante observado até o momento, localizado a cerca de 8 bilhões de anos-luz. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo Centro de Pesquisas Energéticas, Ambientais e Tecnológicas (CIEMAT), que participou da pesquisa em conjunto com a Colaboração MAGIC, no âmbito da Colaboração do Telescópio de Grande Porte (Large-Sized Telescope, LST).
O trabalho, publicado na revista “Astronomy & Astrophysics”, apresenta uma análise exaustiva das observações do OP 313 realizadas com o protótipo do Telescópio de Grande Tamanho LST-1 e os telescópios MAGIC, localizados no Observatório do Roque de los Muchachos, em La Palma (Ilhas Canárias). O OP 313 é um blazar, um tipo de núcleo ativo de galáxia extremamente brilhante alimentado por um buraco negro supermassivo.
Mais especificamente, ele é classificado como um quasar de rádio de espectro plano (Flat Spectrum Radio Quasar, FSRQ), uma das fontes mais brilhantes e energéticas do Universo. A emissão de raios gama de altíssima energia proveniente desse blazar, detectada pela primeira vez com o LST-1 em dezembro de 2023, fornece informações sobre a chamada luz de fundo extragaláctica (EBL), um campo de radiação formado pela luz emitida por objetos cósmicos ao longo da história do Universo.
Durante sua viagem em direção à Terra, os raios gama de altíssima energia interagem com essa radiação e podem se transformar em pares de partículas — um elétron e um pósitron — por meio de um processo conhecido como produção de pares. Essa interação atenua o sinal original e dificulta a detecção de fontes localizadas a grandes distâncias
Agora, as medições realizadas em conjunto com o MAGIC permitiram estudar essa fonte a uma distância aproximada de 8 bilhões de anos-luz, correspondente a um desvio para o vermelho de z = 0,997. De acordo com o CIEMAT, a combinação desses dados com as observações realizadas em energias mais baixas por meio de outros instrumentos proporcionou à equipe de pesquisa a oportunidade de estabelecer restrições precisas sobre a densidade do fundo cósmico extragaláctico e caracterizar a variabilidade da emissão de OP 313.
“Os resultados indicam que a intensa emissão de raios gama é impulsionada por uma elevada população de elétrons relativistas. No chamado cenário leptônico, esses elétrons são acelerados até velocidades próximas à da luz em um potente jato de plasma gerado pelo buraco negro supermassivo localizado no centro do OP 313. Ao interagir com a radiação de menor energia que circunda o buraco negro, os elétrons transferem parte de sua energia aos fótons, elevando-os até a faixa dos raios gama de altíssima energia”, explicou a instituição.
O CIEMAT explicou que a pesquisa na qual colaborou representa “um novo avanço” no estudo dos fenômenos mais extremos do Universo e dos processos físicos que ocorrem nas proximidades de buracos negros supermassivos.
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