SHINOBU SUGIYAMA/FLICKR, CC BY-NC-ND 2.0
MADRID 26 mar. (EUROPA PRESS) -
Um grupo de cientistas publicou um comentário na revista AGU Advances explicando por que eles acreditam que o Antropoceno finalmente merece ser considerado uma época geológica.
A humanidade remodelou a Terra de forma tão profunda que, em 2000, o químico atmosférico Paul Crutzen e o biólogo Eugene Stoermer propuseram que o Holoceno havia terminado e que o "Antropoceno", ou época humana, havia começado.
Entretanto, apesar da magnitude das mudanças induzidas pelo homem, no ano passado a União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS) decidiu não reconhecer oficialmente o Antropoceno como a época geológica atual.
Para que essa decisão seja reconsiderada, um grupo de cientistas liderado por Francine M. G. McCarthy, professora de Ciências da Terra da Universidade de Brock, argumenta contra duas críticas relacionadas à proposta: primeiro, o Antropoceno proposto começou há apenas 72 anos, enquanto as épocas normalmente abrangem milhões de anos; e segundo, o futuro não faz parte do tempo geológico, portanto seria inadequado designar uma época com base na expectativa de que a humanidade deixará sua marca na Terra em um futuro distante.
A DURAÇÃO É IRRELEVANTE
A duração do Antropoceno é irrelevante, argumentam os autores, porque, funcionalmente, a Terra já entrou em uma época sem precedentes. O consumo de energia desde meados do século 20 é seis vezes maior do que nos 11.700 anos anteriores. Como resultado, as temperaturas globais estão aumentando drasticamente, com implicações abrangentes para tudo, desde os níveis dos oceanos até a biodiversidade e as camadas de gelo, informa a revista Eos da AGU (União Geofísica Americana).
Essas mudanças serão duradouras, e algumas são irreversíveis. De fato, o surgimento e a magnitude de alterações tão drásticas em um período tão curto enfatizam que a Terra entrou em uma nova era, dizem os autores.
Alguns estrategistas argumentaram que a designação de uma época centrada no ser humano politizaria a geologia, mas os autores argumentam que ignorar os dados para preservar o status quo é igualmente político. Os autores também se ofendem com os relatos de que o assunto não poderá ser revisitado por mais uma década e, portanto, a questão de saber se vivemos no Antropoceno está resolvida até lá. "Não está", escreveram eles.
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