MADRID 27 abr. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores do Centro de Edafologia e Biologia Aplicada do Segura do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CEBAS-CSIC) recebeu o “Prêmio de Melhor Artigo de Pesquisa de 2026” da Sociedade Americana de Química (ACS) por identificar metabólitos-chave da dieta mediterrânea associados à saúde cerebral.
Este trabalho, liderado pelos membros dessas instituições, os doutores Antonio González Sarrias e Ángela Ávila Gálvez, e publicado na revista especializada “Journal of Agricultural and Food Chemistry”, demonstrou que compostos derivados de alimentos essenciais dessa dieta, como a romã, a azeitona, os cítricos e a uva, são capazes de chegar ao cérebro e potencialmente contribuir para sua proteção contra patologias neurodegenerativas.
“O estudo demonstra, pela primeira vez, que metabólitos derivados do consumo de alimentos da dieta mediterrânea são capazes de chegar ao tecido cerebral e entrar em contato com suas células”, explicou o primeiro desses especialistas, que considera que isso “é fundamental porque fornece uma base científica para os benefícios atribuídos a esses alimentos contra doenças como Alzheimer e Parkinson”.
Por isso, esta pesquisa foi destacada entre mais de 80 trabalhos internacionais com este prêmio, que reconhece trabalhos com alto impacto científico, rigor metodológico e capacidade de influenciar futuras linhas de pesquisa. Ela traz evidências inéditas sobre o destino biológico dos polifenóis após seu consumo em condições alimentares realistas, pois analisa, pela primeira vez com esse nível de precisão, a farmacocinética e a distribuição cerebral de metabólitos fenólicos após a ingestão de uma mistura de alimentos mediterrâneos em doses equivalentes ao consumo humano.
Especificamente, foram encontrados 39 metabólitos fenólicos no plasma e até 20 no tecido cerebral, o que demonstra que uma parte significativa desses compostos — transformados pelo metabolismo e pela microbiota intestinal — é capaz de atravessar a barreira hematoencefálica. Além disso, este estudo validou a descoberta por meio de um modelo in vitro de células endoteliais humanas que simula essa barreira, confirmando que o transporte é mais eficiente quando os compostos se misturam, como ocorre em uma dieta real.
ESTUDO REALIZADO COM QUANTIDADES EQUIVALENTES AO CONSUMO DE UMA PESSOA
“Não estamos falando de doses farmacológicas, mas de quantidades equivalentes à dieta de uma pessoa”, insistiu González Sarrias, acrescentando que “isso torna os resultados especialmente relevantes do ponto de vista da saúde pública”. Além disso, ele afirmou que “não é um único polifenol que atua, mas a combinação de muitos, tal como ocorre na dieta mediterrânea”, ao mesmo tempo em que afirmou que, “quando misturados, o transporte para o cérebro é mais eficiente”.
Aprofundando o tema dos polifenóis, este trabalho expõe que eles são compostos bioativos presentes naturalmente em alimentos vegetais e amplamente associados a benefícios para a saúde. Quanto aos provenientes da romã, este autor indicou que compostos como a punicalagina e o ácido elágico geram metabólitos — como as urolitinas — que “chegam ao cérebro” e, “em estudos posteriores, são capazes de exercer efeitos neuroprotetores em modelos celulares”.
Também foi estudado o hidroxitirosol, que é característico do azeite de oliva e um dos poucos polifenóis com alegações de saúde cardiovascular reconhecidas na Europa. “Comprovamos que derivados desse composto também chegam ao cérebro, o que abre as portas para novos benefícios relacionados à saúde cerebral”, observou.
O limão e a laranja, por outro lado, fornecem flavonóides e ácidos fenólicos que fazem parte desse ‘ecossistema’ de compostos bioativos. “O valor está na dieta como um todo”, e é que a dieta mediterrânea “não é um alimento isolado, mas uma combinação que produz efeitos sinérgicos”, declarou, após o que destacou que “este estudo ajuda a explicar cientificamente por que ela funciona”.
Por fim, este trabalho mostra que a Europa — e especialmente a Espanha — produz as matérias-primas mais valiosas, validando os cultivos sustentáveis locais de regiões como Alicante e Múrcia. Os resultados do estudo, que contou com o financiamento da Fundação Séneca e da Associação AILIMPO da Região de Múrcia, serão apresentados no Congresso Anual da ACS, que será realizado em Chicago.
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