Publicado 13/08/2026 10:38

Cientistas do IAC testam em Palência seus modelos preditivos da coroa solar graças ao eclipse

Vista do eclipse solar total, em 12 de agosto de 2026, em San Millán de los Caballeros, León, Castela e Leão (Espanha). Esse eclipse, no qual a Lua passou entre o Sol e a Terra, ocultando completamente o Sol, abrangeu partes da Groenlândia, da Islândia,
NASA/Bill Ingalls

SANTA CRUZ DE TENERIFE 13 ago. (EUROPA PRESS) -

Cientistas do Instituto de Astrofísica das Canárias fazem, nesta quinta-feira, um balanço positivo da observação do eclipse solar de ontem, um dia que serviu para verificar o grau de precisão de seus modelos preditivos sobre a dinâmica da coroa solar e a configuração ideal dos telescópios de vista para o próximo eclipse.

Foi o que afirmou, em entrevista concedida à Europa Press, Jorge Pérez-Gallego, coordenador do projeto NATE, uma iniciativa lançada pelo IAC, em parceria com outras instituições, como a Universidade Politécnica Mohammed VI (UM6P) e o NSO.

Em agosto de 2027, quando ocorrerá o próximo eclipse solar, o projeto NATE levará ao Marrocos uma rede coordenada de estações com telescópios operados por equipes de estudantes e professores do ensino médio e universitários dos três países envolvidos, além de astrônomos e engenheiros do IAC, da UM6P e do NSO.

No entanto, durante o eclipse deste ano, um grupo de cientistas do IAC deslocou-se até Palência para realizar um teste e treinamento dos diversos equipamentos, um trabalho científico que foi desenvolvido à vista do público, juntamente com atividades de divulgação da ciência e da astronomia durante três dias.

Embora a curta duração do eclipse de 2026 —cerca de um minuto e 44 segundos— e sua baixa altitude no horizonte —entre 12 e 2 graus em todo o território espanhol— tenham sido menos propícias para a experimentação, ela foi “ideal” para a preparação de experimentos.

No entanto, a fase de totalidade do eclipse de 2027 no Marrocos durará cerca de quatro minutos em cada estação, com uma altura ideal de até 40 graus; portanto, o conjunto de dados combinado do experimento ajudará a descobrir como a coroa solar se altera durante o período prolongado em que estará visível no Marrocos.

“Este ano, o eclipse estava muito baixo no céu. Por estar muito baixo, os dados provenientes de fora do planeta são mais perturbados pela atmosfera e, às vezes, nessas baixas altitudes acima do horizonte, há neblina, o que perturba ainda mais os dados — algo que se agrava ainda mais se houver incêndios”, afirmou o cientista.

MODELOS PREVISIONAIS Antes dos eclipses, a equipe de pesquisa também elabora uma previsão de como a coroa solar será vista. Trata-se de uma ação “importante” para conhecer como a coroa solar se comporta e compreender fenômenos como as tempestades solares que, se seguirem em direção à Terra, podem causar impacto na infraestrutura espacial — satélites — ou até mesmo na rede elétrica na superfície terrestre.

Além disso, um fenômeno observacional como o desta quarta-feira permite que os cientistas do IAC verifiquem a qualidade desses modelos preditivos. “Os dados preliminares de ontem indicam que a previsão da coroa está de acordo com o que observamos em aproximadamente 70%”, esclareceu o pesquisador do IAC.

Para realizar essas previsões, explicam eles, foi utilizado o supercomputador de La Palma, um dos quatorze nós da Rede Espanhola de Supercomputação (RES), já que é necessária “muita capacidade computacional” para realizar uma previsão “adequada”.

UM TELESCÓPIO ‘HISTÓRICO’

Entre os telescópios instalados em Palência para a observação do eclipse solar nesta quarta-feira, destacou-se um telescópio histórico do século XIX que fez parte do equipamento científico utilizado na mesma região durante o histórico eclipse solar total de 1905.

“Encontramos esse telescópio em um divã no mosteiro de San Zoilo, graças à vice-diretora do Instituto de Astrofísica das Canárias, que é natural de Palência e soube disso, e então, com a aprovação do diretor do Instituto de Astrofísica das Canárias, decidimos que seria uma boa ideia restaurar esse telescópio, torná-lo funcional e transportá-lo para o século XXI”, destacou o cientista.

Por fim, o instrumento óptico passou por uma restauração conservativa, recuperando seu funcionamento mecânico e óptico e adaptando-o ao projeto. “Quando o utilizaram em 1905, era preciso observar a olho nu; agora, o que fizemos foi adaptá-lo, permitindo conectar uma câmera no lugar do visor e, com essa câmera, obter uma imagem que possa ser transferida para um computador. O telescópio tornou-se, assim, uma ponte entre 1905 e 2026”, especificou ele.

APOIO GOVERNAMENTAL

Por parte do governo regional, a secretária de Universidades, Ciência, Inovação e Cultura do Governo das Canárias, Migdalia Machín, que se deslocou a Palência, comemorou que o “evento excepcional” que foi o eclipse tenha permitido “comprovar, mais uma vez, a capacidade da ciência de despertar o interesse da população”, bem como o “trabalho extraordinário” dos cientistas do Instituto de Astrofísica das Canárias.

Em um comunicado à imprensa, ela classificou como “emocionante” a etapa que se inicia agora com o projeto NATE e com os olhos voltados para o eclipse total de 2027 no Marrocos. “As Canárias contam com uma comunidade científica de altíssimo nível e temos a responsabilidade de apoiar seu trabalho e fazer com que o conhecimento gerado nas ilhas continue chegando cada vez mais longe”, acrescentou a secretária.

O amplo programa de divulgação do IAC em Palência — que incluiu palestras do diretor do IAC, Valentín Martínez Pillet, da subdiretora Eva Villaver, de físicos do NSO como Kevin Reardon e de pesquisadores como Lindsay House, Jose Carlos del Toro Iniesta, Irene Puerto, Pablo Redondo, Juan Carlos Pérez Arencibia, Alejandra Goded, Jorge Pérez Gallego e Gaia Lacedelli— encerrou suas atividades preparando-se para a próxima fase do projeto, por ocasião do eclipse total de Sol de 2 de agosto de 2027 no Marrocos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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