Publicado 17/03/2026 08:54

Cientistas do CSIC criam um material à base de magnésio que captura CO₂ do ar sem necessidade de energia

Cientistas do CSIC criam um material à base de magnésio que captura CO₂ do ar sem necessidade de energia
CSIC

MADRID 17 mar. (EUROPA PRESS) -

Pesquisadores do Instituto de Catálise e Petroquímica do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (ICP-CSIC) desenvolveram um novo material à base de magnésio capaz de capturar e transformar o CO2 do ar à temperatura ambiente sem utilizar energia.

O material, denominado “MicroMg”, converte o CO2 principalmente em bicarbonato e mantém sua eficácia quando incorporado a tintas aplicadas em paredes. Esse avanço, segundo o CSIC, “pode contribuir para melhorar a qualidade do ar em ambientes internos, onde níveis elevados de CO2 podem afetar o bem-estar e o desempenho cognitivo”.

Além disso, indica que ele também poderia ser utilizado em ambientes externos, por meio de revestimentos que ajudem a reduzir esse gás de efeito estufa. O trabalho foi publicado na revista “ACS Applied Energy Materials”.

Da mesma forma, ressalta que o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera “constitui um dos principais desafios ambientais atuais”. Nesse sentido, alerta que, devido à sua contribuição para as mudanças climáticas, níveis elevados desse gás em ambientes internos — como escritórios, residências ou centros educacionais — “podem afetar o bem-estar e o desempenho cognitivo das pessoas”.

Por isso, ressalta que o desenvolvimento de materiais capazes de capturar ou transformar o CO2 de forma eficiente e sustentável tornou-se uma linha de pesquisa “fundamental” para melhorar a qualidade do ar e avançar rumo a ambientes mais saudáveis.

É nesse contexto que se insere o trabalho do grupo de pesquisa do ICP-CSIC liderado por José Miguel Palomo, que desenvolveu um novo material catalítico denominado “MicroMg”. Trata-se de um biohíbrido à base de magnésio, capaz de transformar CO2 em compostos mais estáveis em condições ambientais, que combina um componente inorgânico de magnésio com uma biomolécula, uma enzima que atua como suporte e que orienta a formação do material durante o processo de síntese.

PROCESSO “SIMPLES E RESPEITOSO” COM O MEIO AMBIENTE

Da mesma forma, o CSIC explica que o material que transforma o CO2 é obtido por meio de um método “simples e respeitoso” com o meio ambiente. Ele é preparado em solução aquosa, à temperatura ambiente e pH neutro, sem a necessidade de condições agressivas nem reagentes tóxicos. Durante o processo, formam-se microestruturas cristalinas bem definidas, que apresentam uma forma geométrica cúbico-octaédrica, ou seja, que combina características de um cubo e de um octaedro regular, e têm um tamanho da ordem de milésimos de milímetro (micras). Essas estruturas apresentam elevada estabilidade e oferecem inúmeros sítios ativos para interagir com o CO2.

Além disso, expõe que, de acordo com experimentos realizados em meio aquoso, o micromaterial catalítico desenvolvido pelos pesquisadores (MicroMg) demonstrou uma “elevada eficiência” para transformar o CO2 em bicarbonato, uma forma química “mais estável” do carbono dissolvido e “menos problemática” do ponto de vista ambiental. Em condições suaves (temperatura ambiente e sem aporte de energia externa), o CSIC acrescenta que o material foi capaz de transformar o CO2 dissolvido em bicarbonato em aproximadamente 30 minutos. Além disso, afirma que o material continua funcionando da mesma forma após repetir a reação várias vezes, o que indica que pode ser usado várias vezes sem perder eficácia.

Para avaliar seu potencial em aplicações mais próximas da realidade, o material foi incorporado a uma tinta convencional e aplicado sobre superfícies de parede. Os testes realizados em câmaras fechadas mostraram que essas superfícies funcionalizadas (revestidas com MicroMg) podem reduzir a concentração de CO2 presente no ar. Em condições comparáveis às normalmente encontradas em ambientes internos (cerca de 900 partes por milhão de CO2, próximo ao limite recomendado para uma boa qualidade do ar), as superfícies revestidas com MicroMg conseguiram diminuir significativamente a quantidade desse gás no ambiente.

BOA DURABILIDADE

Além disso, o CSIC destaca que o material apresentou uma “boa durabilidade”. Após três ciclos de lavagem, acrescenta que as superfícies pintadas conservaram mais de 90% de sua atividade inicial para continuar transformando o CO2. “Os resultados também indicaram que o desempenho aumenta ao ampliar a superfície revestida ou ao aplicar várias camadas de tinta, o que sugere que o sistema poderia se adaptar facilmente a diferentes escalas de aplicação”, observa.

Por fim, explica que, nas concentrações mais elevadas de CO2, até 1.500 partes por milhão (ppm), esse material (MicroMg) manteve uma “atividade notável” e foi capaz de transformar o gás de forma contínua durante vários dias. Assim, argumenta que níveis de CO2 superiores a 1.000 ppm indicam uma ventilação “insuficiente”, o que pode provocar “sonolência ou menor desempenho cognitivo”. “Nessas condições, observou-se uma taxa de eliminação aproximada de 16 ppm de CO2 por hora, o que confirma seu potencial para contribuir para a redução desse gás em ambientes fechados”, conclui.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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