Publicado 20/05/2026 12:14

Cientistas desenvolvem “um dos mapas moleculares mais completos” de pessoas saudáveis para contribuir com a medicina de precisão

Archivo - Arquivo - Moléculas de DNA
SVISIO/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 20 maio (EUROPA PRESS) -

Uma pesquisa internacional coordenada pela Universidade de Stanford (Estados Unidos), na qual participaram especialistas do Centro de Pesquisa do Câncer (CIC) e do Instituto de Pesquisa Biomédica de Salamanca (IBSAL), elaborou “um dos mapas moleculares mais completos” de pessoas saudáveis de diferentes origens, idades e locais de residência, abrindo novos caminhos para a medicina de precisão.

O estudo, publicado na revista 'Cell', faz parte do projeto 'Human Personal Omics Profiling' (hPOP) e tem como objetivo compreender como fatores como a genética, a geografia e a alimentação influenciam o estado do sistema imunológico, a saúde em geral e o processo de envelhecimento.

Para isso, a equipe integrou mais de dez camadas ômicas, ou seja, grandes conjuntos de dados biológicos como a genômica (genes), a proteômica (proteínas), a metabolômica (metabolitos) ou o microbioma (microrganismos do corpo), que permitem obter uma visão global do funcionamento do organismo humano.

Esses dados foram obtidos a partir de amostras de sangue, urina e fezes de 322 pessoas saudáveis provenientes de países como Taiwan, Irlanda, Estados Unidos ou Canadá. Os dados foram complementados com outros de caráter clínico, estilo de vida, dieta e local de residência.

“Este estudo nos permite observar, camada por camada, como os diferentes sistemas biológicos, entre eles o sistema imunológico, se organizam e se relacionam em pessoas aparentemente saudáveis, e como a ascendência genética e o ambiente modulam esses sistemas”, explicou o pesquisador do CIC Manuel Fuentes, um dos pesquisadores que co-dirigiu o trabalho.

O responsável técnico pela plataforma de Proteômica do IBSAL, Pablo Juanes, um dos primeiros autores, destacou que, da perspectiva proteômica, o estudo fornece informações “muito valiosas” sobre a dinâmica da resposta imunológica em indivíduos saudáveis de diferentes idades, em diversas condições climáticas ou com estilos de vida distintos, o que demonstra o “enorme potencial” da proteômica para o monitoramento imunológico em qualquer situação fisiológica.

IMPRESSÃO IMUNOLÓGICA

Entre as contribuições do estudo, seus autores destacaram a “assinatura imunológica” e como ela é modulada pelo ambiente e pelo contexto, pela alimentação, pela microbiota, por infecções, vacinação, estilos de vida, estresse, alterações hormonais, genética, aspectos sociais e geográficos.

“É o primeiro mapa que permite estabelecer como referência a assinatura ou o status imunológico de cada indivíduo, abrindo caminho para estudos futuros sobre suscetibilidade a riscos de infecções, autoimunidade, etc.”, destacou Pablo Juanes.

A pesquisa revela que a ascendência genética, denominada “etnia” no artigo, está associada a perfis muito distintos no sistema imunológico, no metabolismo, em determinados alvos de medicamentos, na suscetibilidade a doenças autoimunes e na composição do microbioma.

Paralelamente, a geografia, ou seja, o local onde cada pessoa vive, e as mudanças de país ou continente reconfiguram essas redes moleculares e microbianas, afetando até mesmo os chamados “relógios biológicos” do envelhecimento.

A esse respeito, mostra que nem todas as populações envelhecem no mesmo ritmo. Por exemplo, pessoas de ascendência do Leste Asiático apresentam uma idade biológica menor quando residem em suas regiões ancestrais, enquanto aquelas de ascendência europeia apresentam uma idade biológica mais baixa quando vivem nos Estados Unidos ou no Canadá do que quando residiam na Europa, o que aponta para um papel muito relevante do ambiente e do estilo de vida.

O trabalho também aprofunda como a dieta interage com o microbioma intestinal de maneira específica, dependendo da ascendência genética. As interações entre dieta, microbioma e genética ajudam a explicar por que certos padrões alimentares ou ambientes são benéficos para algumas populações e não tanto para outras, e oferecem uma base científica para elaborar diretrizes nutricionais e estratégias de prevenção mais adequadas a cada grupo.

“Os dados mostram que não existe uma receita única válida para todos; a medicina de precisão deve levar em conta tanto as informações genéticas quanto a assinatura imunológica, juntamente com o contexto geográfico, ambiental e cultural de cada pessoa”, destacou Manuel Fuentes.

RECURSO DE DADOS ABERTO

A partir das informações coletadas, os pesquisadores elaboraram um recurso de dados aberto que permitirá a outros grupos explorar uma infinidade de questões sobre como a genética e o ambiente interagem para influenciar a saúde, o risco de doenças e a resposta aos tratamentos.

Os pesquisadores validaram suas descobertas em várias coortes independentes e integraram grandes volumes de dados ômicos, clínicos e ambientais.

“A experiência do CIC em monitoramento imunológico, juntamente com o papel da Plataforma de Proteômica do IBSAL na caracterização de perfis proteômicos complexos, são fundamentais para entender como essas redes moleculares podem nos ajudar a prevenir doenças e personalizar os tratamentos no futuro”, afirmou Fuentes.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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