SEVILHA 29 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe científica liderada pela Estação Biológica de Doñana (EBD-CSIC), em colaboração com a Universidade de Milão, identificou quatro novas espécies de ceratopogonídeos do gênero Leptoconops, pequenas moscas hematófagas, ou seja, que se alimentam de sangue, com apenas dois milímetros de comprimento e que até agora eram desconhecidas pela ciência.
Conforme detalhado pelo CSIC em um comunicado, os pesquisadores identificaram oito espécies de Leptoconops, das quais quatro — metade do total detectado — revelaram-se “completamente” novas para a ciência. As novas espécies descritas são Leptoconops nigrithorax sp. nov., Leptoconops triangularis sp. nov., Leptoconops pseudoirritans sp. nov. e Leptoconops communis sp. nov. A descoberta ocorreu durante as amostragens de mosquitos realizadas pela Estação Biológica de Doñana para detectar a presença do vírus do Nilo Ocidental em diferentes pontos da Andaluzia.
No entanto, embora a descoberta de novas espécies seja geralmente associada a regiões remotas ou ecossistemas pouco explorados, “ainda existem inúmeras espécies desconhecidas na Espanha”. Devido à sua “relevância” para a saúde pública e a saúde animal, “o conhecimento sobre insetos hematófagos aumentou nos últimos anos”. Essas amostragens fazem parte do projeto Arboprevent, apoiado pela Fundação ‘la Caixa’ no âmbito da chamada para Pesquisa em Saúde.
Dessa forma, “essa amostragem exaustiva permitiu, de maneira pioneira, detectar a presença de Leptoconops na Andaluzia”, conforme destacou o pesquisador principal do projeto, Jordi Figuerola.
PEQUENOS INSETOS DE RELEVÂNCIA SANITÁRIA
O gênero Leptoconops compreende espécies de moscas minúsculas hematófagas. Assim como acontece com os mosquitos, suas fêmeas se alimentam de sangue, fazendo pequenos cortes na pele de aves e mamíferos, incluindo o ser humano, um comportamento conhecido como telmofagia.
Esse gênero está presente em grande parte da região mediterrânea, incluindo Itália, França, Espanha, Argélia, Marrocos, Egito e Oriente Médio. No entanto, o conhecimento sobre sua distribuição é incompleto, com regiões onde sua presença ainda não foi estudada. Embora estejam ausentes na maior parte do ano, durante os meses da primavera sua abundância pode aumentar consideravelmente, causando incômodos por causa de suas picadas.
Nesse sentido, o autor do estudo, Mikel Alexander González, explicou que “na Espanha, sua existência era conhecida apenas em alguns poucos locais, e elas eram associadas principalmente a riachos arenosos e pântanos; no entanto, sabemos que sua distribuição era muito maior, como demonstrado neste trabalho publicado”.
Portanto, este trabalho demonstra que “mesmo em regiões amplamente estudadas, como a Andaluzia, ainda há espécies a serem descobertas”. Além disso, “destaca o valor dos programas de vigilância sanitária, que não apenas contribuem para a detecção precoce de doenças emergentes, mas também geram informações essenciais para o avanço do conhecimento e da conservação da biodiversidade”.
Por fim, o pesquisador pré-doutorado Dumitru Ionut Paun Tanase, coautor do estudo, concluiu que “a captura desses insetos nos permitirá investigar seu papel na transmissão de parasitas, bem como sua ecologia, ajudando a preencher as lacunas de conhecimento que existem sobre eles”.
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