MADRID 17 jul. (EUROPA PRESS) -
Um gene chamado 'npmA2', com a capacidade de dotar bactérias perigosas de resistência total a antibióticos que são vitais quando não há alternativa, está se espalhando pelo mundo, alertou uma equipe internacional de cientistas liderada pela Universidade Complutense de Madri.
"O npmA2 é como um fantasma: quase ninguém sabia de sua existência e, sem fazer nenhum barulho, ele começou a aparecer em diferentes partes do mundo e em bactérias que já são difíceis de controlar", explicou o Dr. Bruno González-Zorn, professor do Departamento de Saúde Animal da Universidade Complutense de Madri e diretor do estudo.
De acordo com os resultados, publicados na quarta-feira na Nature Communications, esse gene quase desconhecido está se espalhando por hospitais e fazendas, gerando "superbactérias" que são impossíveis de tratar. Especificamente, os pesquisadores o detectaram em cepas de seis países e em amostras humanas, animais e ambientais, confirmando sua disseminação global.
Para o estudo, os especialistas analisaram quase dois milhões de amostras de bactérias, confirmando que esse gene atua como um "passaporte genético" que viaja em um fragmento móvel, que atua como um cavalo de Troia, e se incorpora a diferentes bactérias que já apresentam risco.
Como exemplos, os profissionais detectaram o gene na bactéria "Clostridioides difficile", que causa infecções intestinais graves, ou na "Enterococcus faecium", responsável por infecções hospitalares com uma taxa de mortalidade de 30% na Espanha. "O gene npmA2 torna essas infecções praticamente incuráveis", diz o Dr. Carlos Serna, coautor do estudo.
Os autores enfatizaram que a pesquisa de novas estratégias para combater infecções e o monitoramento do uso de antibióticos são agora mais urgentes do que nunca. "Se não agirmos agora, estaremos caminhando para uma era em que uma simples infecção voltará a ser mortal", alertou González-Zorn.
Além da Universidade Complutense de Madri, participaram desse estudo cientistas do Welcome Sanger Institute em Cambridge (Reino Unido), do Instituto Pasteur em Paris (França) e de centros de pesquisa na Holanda e na Austrália.
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