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MADRID, 22 abr. (EUROPA PRESS) -
A área de Doenças Neurodegenerativas do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede (CIBERNED) pediu que os resultados da revisão sistemática publicada na 'Cochrane Library' — que questiona a eficácia e a segurança dos anticorpos monoclonais direcionados contra o amiloide em pessoas com doença de Alzheimer em estágios iniciais — sejam interpretados “com cautela”.
A metanálise analisa 17 ensaios clínicos com mais de 20.000 participantes e inclui medicamentos como o lecanemab ou o donanemab, aprovados pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Segundo suas conclusões, os efeitos desses tratamentos sobre o declínio cognitivo e a gravidade da demência são inexistentes ou insignificantes.
Embora a revisão aponte para pequenas melhorias funcionais de relevância clínica incerta, ela também alerta que os medicamentos estão associados a um aumento do risco de anomalias cerebrais detectadas por imagem, como edema e microhemorragias, sem que haja evidência de aumento da mortalidade ou de eventos adversos graves.
Especialistas do CIBERNED apontaram que a interpretação desses resultados deve ser feita levando em conta “importantes limitações metodológicas”. Entre elas, destacaram que a análise agrupa, como se fossem todos iguais, sete medicamentos com diferentes graus de eficácia biológica na redução do amiloide cerebral, o que consideram que pode diluir os efeitos daqueles que realmente demonstraram benefício clínico reconhecido pelas agências reguladoras.
Por isso, os coordenadores do Programa de Alzheimer do CIBERNED, Alberto Lleó e Eva Carro, pesquisadores do Hospital Sant Pau de Barcelona e do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII), respectivamente, enfatizaram que “não é possível tirar conclusões sólidas desta metanálise”.
“Sabemos hoje que há evidências de uma relação entre a eliminação do amiloide e a resposta clínica, e atualmente mais de 70.000 pacientes foram tratados com esses medicamentos em nível internacional”, detalharam.
Enquanto isso, o pesquisador principal do CIBERNED e do Instituto de Neurociências da Universidade Autônoma de Barcelona, Carlos Saura, destacou que, embora o estudo exponha a variabilidade dos resultados entre os medicamentos, o lecanemab e o donanemab “são os únicos que reduzem a patologia amilóide cerebral e melhoram ligeiramente a função cognitiva e a atividade funcional cotidiana dos pacientes”.
DEBATE CIENTÍFICO INTERNACIONAL
O CIBER destacou que os resultados desta revisão se somam a um debate científico internacional sobre o equilíbrio entre benefícios, riscos e custos desses dois medicamentos recentemente aprovados pelas agências reguladoras europeias e americanas. Conforme esclarecido, diversos organismos internacionais apontaram que, apesar de sua capacidade de eliminar placas amilóides, o impacto clínico é modesto.
A esse respeito, os pesquisadores do CIBER explicaram que os anticorpos antiamiloides têm sido considerados uma das estratégias mais promissoras para o tratamento da doença de Alzheimer, mas esclareceram que as evidências atuais sugerem que seu benefício clínico é limitado a 18 meses e que é necessário um acompanhamento de longo prazo para determinar o impacto global.
“O aprimoramento dessas terapias e sua combinação com novos medicamentos que modulam vias celulares alternativas envolvidas na patologia podem ser terapias eficazes para tratar essa doença e melhorar a vida dos pacientes”, afirmaram.
Nesse contexto, o CIBERNED considera “prioritário” que sejam desenvolvidos estudos de acompanhamento prolongado que permitam avaliar benefícios clinicamente relevantes, que se analise o impacto desses tratamentos em condições reais de prática clínica e que se continue investigando novos alvos terapêuticos além do amiloide.
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