Publicado 22/04/2025 07:48

Chuva e neve moldaram a superfície do antigo Marte

Representação artística da água fluindo para a cratera Jezero de Marte, que há bilhões de anos era o local de um delta.
NASA/JPL-CALTECH

MADRID 22 abr. (EUROPA PRESS) -

Chuvas fortes ou nevascas provavelmente alimentaram inúmeras redes de vales e canais que moldaram a superfície marciana bilhões de anos atrás.

Essa é a conclusão de um novo estudo realizado por geólogos da Universidade do Colorado em Boulder, que apresenta um planeta vermelho relativamente quente e úmido, muito diferente do deserto gelado que conhecemos hoje.

Os pesquisadores, liderados por Amanda Steckel, que obteve seu PhD em ciências geológicas na Universidade do Colorado em Boulder em 2024, publicaram suas descobertas no Journal of Geophysical Research: Planets.

A maioria dos cientistas agora concorda que pelo menos um pouco de água existia na superfície de Marte durante a época de Noé, aproximadamente de 4,1 a 3,7 bilhões de anos atrás.

Mas a origem dessa água tem sido um mistério há muito tempo. Alguns pesquisadores afirmam que Marte antigo nunca foi quente e úmido, mas sempre frio e seco. Naquela época, o jovem sol do sistema solar era apenas cerca de 75% mais brilhante do que é hoje. É possível que extensas calotas de gelo cobrissem as terras altas ao redor do equador marciano, derretendo ocasionalmente por breves períodos.

Na nova pesquisa, Steckel e seus colegas se propuseram a investigar as teorias de clima quente e úmido versus clima frio e seco sobre o passado de Marte. A equipe usou simulações de computador para explorar como a água pode ter moldado a superfície de Marte há bilhões de anos. Eles descobriram que a precipitação de neve ou chuva provavelmente formou os padrões de vales e nascentes que ainda existem em Marte atualmente.

"É muito difícil chegar a uma conclusão definitiva", disse Steckel em um comunicado. "Mas observamos que esses vales começam em uma grande variedade de elevações. É difícil explicar isso apenas com gelo."

UMA HISTÓRIA DE DOIS PLANETAS VERMELHOS

As imagens de satélite de Marte ainda revelam a marca da água no planeta. Ao redor do equador, por exemplo, vastas redes de canais se estendem das terras altas marcianas, ramificando-se como árvores e fluindo para lagos e possivelmente até mesmo um oceano. O rover Perseverance da NASA, que aterrissou em Marte em 2021, está atualmente explorando a cratera Jezero, onde um desses lagos antigos está localizado. Durante o período Noéico, um poderoso rio fluiu para essa região, depositando um delta no fundo da cratera.

"Seriam necessários metros de água corrente para depositar esse tipo de rocha", disse Brian Hynek, principal autor do estudo e cientista do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial (LASP) da Universidade do Colorado em Boulder.

Para estudar esse passado antigo, ele e Steckel, que agora faz parte da equipe científica do Perseverance, criaram, em essência, uma versão digital de um pedaço de Marte.

A equipe se baseou em uma simulação ou modelo de computador originalmente desenvolvido para estudos da Terra pelo coautor do estudo Gregory Tucker, professor do Departamento de Ciências Geológicas da Universidade do Colorado em Boulder. Matthew Rossi, cientista pesquisador do Instituto Cooperativo de Pesquisa em Ciências Ambientais (CIRES) da Universidade do Colorado em Boulder, também foi coautor.

Os pesquisadores usaram o software para modelar a evolução da paisagem em um terreno sintético que se assemelha a Marte perto de seu equador. Em alguns casos, o grupo adicionou água ao terreno a partir da precipitação. Em outros, eles incluíram calotas de gelo derretido. Em seguida, na simulação, eles deixaram a água fluir por dezenas a centenas de milhares de anos.

Os pesquisadores examinaram os padrões que se formaram como resultado e, especificamente, onde surgiram as nascentes que alimentam os vales ramificados de Marte. Os cenários produziram planetas muito diferentes: no caso do derretimento das calotas de gelo, as cabeceiras dos vales se formaram principalmente em grandes altitudes, mais ou menos na borda onde o gelo antigo se estabeleceu. Nos exemplos de precipitação, as cabeceiras marcianas eram muito mais espalhadas, formando-se em altitudes que variavam de abaixo da superfície planetária média a mais de 3.350 metros de altura.

"A água dessas calotas de gelo começa a formar vales somente em torno de uma faixa estreita de elevações", explicou Steckel. "Ao passo que, se a precipitação for distribuída, as cabeceiras dos vales podem se formar em toda parte."

A equipe então comparou essas previsões com dados reais de Marte obtidos pelas sondas Mars Global Surveyor e Mars Odyssey da NASA. As simulações que incluíam precipitação eram mais próximas do planeta vermelho real.

Os pesquisadores não hesitam em apontar que os resultados não são a palavra final sobre o antigo clima de Marte; em particular, ainda não está claro como o planeta conseguiu se manter quente o suficiente para suportar neve ou chuva. No entanto, Hynek disse que o estudo fornece aos cientistas novas percepções sobre a história de outro planeta: o nosso.

"Quando a erosão causada pelo fluxo de água cessou, Marte ficou praticamente congelado no tempo e provavelmente ainda se parece muito com a Terra há 3,5 bilhões de anos", disse ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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