Publicado 13/08/2026 13:39

Chocó, a região mais pobre da Colômbia: eis a desigualdade que o terremoto veio à tona

12 de agosto de 2026, Cali, Valle del Cauca, Colômbia: Pessoas se reúnem em frente a prédios desabados em Cali, na Colômbia, em 12 de agosto de 2026, para ajudar em várias operações de resgate após um terremoto de magnitude 7,4 que atingiu as cidades de Q
Europa Press/Contacto/Martin Steven Angel

MADRID 13 ago. (EUROPA PRESS) -

Chocó, epicentro do terremoto que já deixou, até o momento, 265 mortos na Colômbia, é a região mais pobre do país, segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE), que publicou um levantamento detalhado da pobreza monetária em seu território.

Sua capital, Quibdó, foi, em 2025, a capital de departamento mais pobre, com um coeficiente de Gini de 0,555 pontos (contra 0,531 pontos em nível nacional) e uma incidência de pobreza monetária de 61,7%. Além disso, foi a única cidade que registrou um aumento desse indicador na Colômbia, com um incremento de 2,1 pontos percentuais em relação ao ano anterior, segundo dados do DANE.

O terremoto de magnitude 7,4 na escala de Richter registrado nesta segunda-feira no município de San José del Palmar revelou a situação de pobreza que a região atravessa e sua desigualdade em relação a outras regiões que também foram atingidas pelo sismo, como a vizinha Valle del Cauca, cuja capital, Cali, reduziu sua taxa de pobreza para 19,7%.

Nesse sentido, Quibdó e Pasto foram as únicas cidades que registraram um aumento na incidência de pobreza monetária extrema. Na primeira delas, esse indicador passou de 29,7% em 2024 para 32,5% em 2025, enquanto em Cali, esse indicador foi de 6% no mesmo período. A linha de pobreza extrema corresponde ao custo mínimo mensal per capita necessário para adquirir apenas uma cesta de produtos alimentícios.

DUAS COLÔMBIAS DIFERENTES

Especialistas do DANE explicam que, no Chocó, é quase impossível contar com iluminação pública e sistema de esgoto. Além disso, destacam que, na região, o transporte é realizado principalmente pela rede fluvial e que não há vias suficientes para a construção de infraestruturas.

Essas diferenças foram fundamentais para a resposta imediata do governo colombiano nas primeiras 72 horas após o terremoto, pois, graças à infraestrutura, foi possível levar ajuda por via terrestre às cidades mais afetadas do Eixo Cafeeiro, como Manizales e Pereira, ao contrário do Chocó, onde o acesso é mais difícil.

Da mesma forma, os especialistas do DANE apontam que, no Chocó, as condições das moradias são “muito precárias, muito ruins”, explicando que há muitos imóveis sem piso revestido — que pode ser de terra — e cujas paredes podem ser feitas de tábuas de madeira em vez de tijolos.

OS SEIS ESTRATOS SOCIOECONÔMICOS DA COLÔMBIA

Uma forma que o governo da Colômbia utiliza para medir a desigualdade é um modelo de estratos socioeconômicos. A lei de estratificação de 1994 é hoje um dos indicadores mais úteis para inferir o nível de renda das famílias, devido à alta informalidade no mercado de trabalho, superior a 54,2% em nível nacional, conforme explicou o DANE.

Em 2004, o Executivo delegou ao DANE a tarefa de elaborar uma metodologia para estratificar as residências. Essa metodologia, refletida na última atualização do DANE, baseia-se em critérios físicos das residências e não leva em consideração informações sobre os cidadãos que moram nos imóveis, como seu nível de renda.

Além disso, na Colômbia não existe um cadastro de recenseamento devido à volatilidade e à informalidade dos domicílios.

As moradias na Colômbia são classificadas em seis estratos socioeconômicos. Cada prefeitura divide sua cidade em seis níveis: o “1” é “baixo-baixo” (os imóveis mais precários, onde vive a população mais vulnerável), o “2” é “baixo”, o “3” é “médio-baixo”, o “4” é “médio”, o ‘5’ é “médio-alto” e o ‘6’ é “alto”, conforme explicou o DANE.

Os estratos são determinados por aspectos físicos, como acabamentos, tamanho e materiais de construção. Além disso, a legislação considera apenas imóveis residenciais, excluindo os comerciais, industriais ou institucionais.

Nesse sentido, a lei obriga a classificação das moradias em seis níveis em cada município, sem especificar explicitamente as características que distinguem um estrato de outro.

Mais de 75% das cidades do país estão classificadas sem ultrapassar o estrato três, segundo estimativas do instituto de estatística. Em departamentos como o Chocó, “todas as moradias são tão precárias que correspondem ao nível um, sem exceção”, explicaram à Europa Press.

No entanto, o nível mais baixo no Chocó não apresenta as mesmas condições que o nível 1 em Bogotá, já que na parte mais baixa da capital há, pelo menos, rede de esgoto e iluminação pública, algo “quase impossível no Chocó”. “Se existisse um estrato zero — o que não existe, mas se existisse —, provavelmente teria que ser nessa zona”, explica o instituto de estatística.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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