MADRID 13 maio (EUROPA PRESS) -
O chefe do Serviço da Subdireção Geral de Coordenação de Programas da Delegação do Governo para o Plano Nacional sobre Drogas, Carlos Belmar Ramírez, destacou que o chemsex “é uma prioridade na futura Estratégia Nacional de Dependências”, uma vez que se trata de “uma realidade complexa e em constante mudança”.
Nela, “convivem o prazer, o desejo e a sociabilidade com riscos significativos para a saúde física, mental e social”, indicou por ocasião de sua participação na jornada ‘Chemsex, apenas química’, organizada pela Comissão de Intervenção da UNAD, a Rede de Atendimento às Dependências, na qual participaram profissionais de diferentes áreas.
Assim, Belmar Ramírez defendeu que, do ponto de vista da saúde pública, é necessário “aceitar essa complexidade”, não se concentrando apenas na vigilância dos riscos, “mas compreendendo os contextos e acompanhando as pessoas com respeito, dignidade e autonomia”. Além disso, ela insistiu na importância de “evitar respostas criminalizantes e de trabalhar de forma coordenada entre administrações, entidades sociais, profissionais e usuários”.
Todos os participantes reivindicaram, segundo a organização, “a necessidade de reforçar a coordenação entre recursos sociais e de saúde para melhorar a resposta ao fenômeno do chemsex e outros usos sexualizados de drogas”. Além disso, a vice-presidente da UNAD, Elisabeth Ortega, destacou a importância de abordar o chemsex “com rigor, sem simplificações e a partir de uma perspectiva de saúde pública”.
Por isso, defende “modelos de intervenção centrados nos direitos, na redução de riscos e no acompanhamento”. Paralelamente, ela aprofundou a necessidade de “construir respostas eficazes, humanas e não estigmatizantes, que não se limitem ao consumo de substâncias e incorporem também fatores sociais e emocionais, como o isolamento, o estigma associado ao HIV, a LGBTI-fobia ou determinadas situações de exclusão e mal-estar psicológico”.
Os usos sexualizados de drogas “muitas vezes” não encontravam “um lugar claro nem nos recursos tradicionais de atendimento às dependências nem em outros dispositivos sanitários ou sociais”, explicou, por sua vez, o membro da Comissão de Intervenção dessa entidade, José Luis Rabadán, enquanto o consultor e formador Raúl Soriano afirmou que “nem todos os usos sexualizados de drogas são chemsex”.
OUTROS CONTEXTOS DE CONSUMO SEXUALIZADO DE SUBSTÂNCIAS
Segundo ele, “também existem outros contextos de consumo sexualizado de substâncias relacionados a casais, prostituição, clubes de troca de casais ou consumo ligado à pornografia”. No entanto, ele destacou que o chemsex ocorre “principalmente entre homens gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens, com o objetivo de manter, intensificar ou prolongar as relações sexuais por longos períodos de tempo”.
Nesse contexto, explicou que “entre as substâncias mais associadas a essa prática estão a mefedrona, o GHB/GBL e a metanfetamina, além de outras como cocaína, cetamina, álcool ou popper, frequentemente em situações de policonso”.
Por outro lado, os participantes deste evento alertaram para “o ressurgimento de problemas ligados ao consumo injetável, às overdoses ou aos abcessos” e advertiram sobre “graves impactos físicos, psicológicos e sociais que podem decorrer dessas práticas”.
Assim, destacaram que “a Espanha está entre os países europeus com maior prevalência de chemsex, de acordo com a pesquisa europeia online para homens que fazem sexo com homens (EMIS)”. Por fim, neste encontro foram apresentados dados como o de que “a rede de atendimento a dependências de Madri passou de 54 atendimentos relacionados ao chemsex em 2017 para 912 em 2025”.
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