Publicado 20/06/2026 07:33

O chefe do Departamento de Direitos Humanos da ONU rejeita o novo sistema europeu de repatriação de migrantes e pede diligência a Br

Volker Türk pede acompanhamento constante de um protocolo que ameaça os direitos fundamentais

Archivo - Arquivo - 19 de setembro de 2023, DUNKIRK, Maisons-Laffitte, FRANÇA: Um migrante se protege da chuva em um acampamento de migrantes, em 19 de setembro de 2023, na cidade de Dunkerque, no norte da França. Os migrantes que tentam deixar a França r
Europa Press/Contacto/Karel Prinsloo - Arquivo

MADRID, 20 jun. (EUROPA PRESS) -

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou neste sábado seu pesar pela aprovação, nesta semana, no seio da União Europeia, do novo sistema de retorno de migrantes que acelera o processo de deportações, entendendo que isso poderia acabar violando gravemente os direitos individuais das pessoas afetadas.

O novo regulamento de retorno, que ainda aguarda a adoção formal pelo Conselho (governos) para entrar em vigor, foi aprovado no Parlamento Europeu em Estrasburgo (França) com 418 votos a favor, 218 contra e 30 abstenções.

O novo regulamento substituirá uma diretiva sobre retornos que já tem quase duas décadas e cria o marco jurídico necessário para que os governos possam negociar com países terceiros a criação de centros de deportação nesses territórios, para onde serão transferidos os migrantes a quem foi negado o asilo após chegarem à UE e que aguardam a expulsão para seu país de origem ou de trânsito.

Esses acordos com países terceiros não são atualmente compatíveis com o Direito da União, mas o novo regulamento estabelece as condições para que o sejam, permitindo que um, vários países ou até mesmo a UE a negociar com um Estado terceiro para instalar os centros sob sua jurisdição, desde que cumpram os Direitos Humanos, respeitem o Direito Internacional e observem o princípio da “não repulsão”, ou seja, que não realizem repatiências imediatas.

Turk, nesse sentido, pediu à UE e aos seus Estados-Membros que ajam “com a devida diligência” e garantam que a aplicação deste regulamento seja “plenamente coerente com o direito internacional em matéria de direitos humanos e de refugiados”.

O Regulamento da UE sobre retornos, que foi aprovado pelo Parlamento Europeu no início desta semana, em 17 de junho, amplia o uso da detenção prévia à expulsão e permite que os Estados-membros da UE criem os chamados “centros de retorno” em países terceiros.

“Nesse contexto, os Estados-membros da UE não podem simplesmente terceirizar suas obrigações em matéria de direitos humanos a Estados terceiros”, lembrou Turk, antes de alertar que a detenção e o retorno de pessoas vulneráveis, incluindo crianças, a outros países é “um exercício particularmente delicado do poder do Estado e acarreta um alto risco de violações dos direitos humanos”.

“Deve haver uma ênfase central na proteção e na dignidade dos direitos humanos em todos os momentos, tanto na prática quanto no direito”, afirmou Türk.

“O direito internacional dos direitos humanos e o direito dos refugiados são muito claros: ninguém deve ser devolvido a um local onde correria o risco de sofrer graves violações dos direitos humanos ou outros danos irreparáveis”, indicou o chefe de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Por tudo isso, Türk solicitou a Bruxelas que estabeleça mecanismos sólidos de monitoramento e prestação de contas para garantir o pleno respeito aos direitos humanos das pessoas nos processos de retorno, incluindo seu direito à vida privada e familiar, à unidade familiar, bem como para proteger o interesse superior das crianças.

“As decisões de deportação devem sempre se basear em avaliações individualizadas e não devem ser tomadas antes da conclusão dos processos de recurso”, afirmou Türk.

O Alto Comissário, por isso, pediu uma abordagem equilibrada da governança migratória, fundamentada nos direitos humanos, com reconhecimento das contribuições dos migrantes para as sociedades e economias europeias.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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