MADRID 20 maio (EUROPA PRESS) -
O presidente do Conselho Geral das Associações Oficiais de Farmacêuticos da Espanha (CGCOF), Jesús Aguilar, pediu na terça-feira que o papel das farmácias seja consolidado como "agentes-chave" no atendimento à saúde mental, já que os farmacêuticos atuam como "o primeiro agente de escuta" para esse tipo de transtorno e facilitam o acesso a serviços especializados.
"Pedimos que nos reconheçam como aliados estratégicos na construção de uma atenção à saúde mental mais humana, mais próxima e mais eficaz, porque esta é uma responsabilidade compartilhada e a farmácia quer e deve estar presente", destacou Aguilar perante a Comissão de Saúde do Congresso dos Deputados.
Para isso, ela propôs cinco linhas de ação "prioritárias" para fortalecer a contribuição das farmácias nessa área. Em primeiro lugar, ela propôs a promoção de treinamento "contínuo, especializado e específico" em saúde mental para todos os profissionais de saúde "de forma abrangente e compartilhada".
Sobre esse ponto, ele especificou que, no caso dos farmacêuticos, "é fundamental" ampliar seu treinamento em aspectos psicossociais, detecção precoce de sofrimento emocional, comunicação empática e gerenciamento de situações.
Aguilar também solicitou o estabelecimento de protocolos de encaminhamento padronizados em nível nacional para que os farmacêuticos possam encaminhar os cidadãos de forma "eficiente, segura e apropriada". Ela também pediu que os farmacêuticos fossem integrados a equipes multidisciplinares de saúde mental para melhorar a coordenação entre os níveis de atendimento e oferecer atendimento abrangente.
Entre as linhas do CGCOF, ele também apontou a necessidade de reforçar as estratégias para melhorar a adesão terapêutica; "um dos principais riscos" na abordagem dos transtornos mentais e contra o qual os farmacêuticos podem desempenhar um "papel fundamental". Finalmente, ele pediu a incorporação da saúde mental "de forma eficaz" na Atenção Primária e Comunitária, "aproveitando o potencial da grande rede de farmácias".
"A farmácia comunitária, o consultório farmacêutico, não é um ator periférico, é uma parte estrutural do sistema social e de saúde com enorme potencial, ainda a ser implantado, no campo da saúde mental", enfatizou.
SAÚDE, DESAFIO SOCIAL E HUMANO
"No contexto atual, em que a saúde mental se consolidou como um dos principais desafios de saúde, sociais e humanos de nosso tempo, é essencial unir capacidades, romper barreiras profissionais e construir respostas intersetoriais e colaborativas", disse Aguilar.
Nesse sentido, o presidente da CGCOF apontou alguns dados sobre a prevalência de patologias associadas à saúde mental. Referindo-se a relatórios do Ministério da Saúde, ele destacou que mais de um terço da população espanhola terá algum tipo de problema de saúde mental durante sua vida. Um número que ultrapassa 50% entre as pessoas com mais de 75 anos de idade e que, de acordo com as projeções, continuará aumentando nos próximos anos.
"Mas não estamos falando apenas de dados. Estamos falando de sofrimento humano, de vidas condicionadas pelo silêncio, pelo estigma e pela incompreensão. Porque, além dos sintomas, muitas pessoas com transtornos mentais enfrentam um duplo fardo, o de sua própria doença e o de uma sociedade que não sabe como tratar ou como ajudar", alertou.
Ele destacou que na Espanha há mais de 22.000 farmácias, 70% delas localizadas em áreas rurais, que prestam atendimento diário a 2,3 milhões de pessoas. "Muitas delas têm necessidades de saúde mental que se manifestam em uma conversa, uma dúvida sobre a medicação ou um olhar preocupado", acrescentou.
Nesse contexto, ele ressaltou o papel do farmacêutico e, especificamente, o do farmacêutico comunitário, enfatizando que seu trabalho não se limita à dispensação de medicamentos, mas também inclui "cuidados abrangentes que incorporam a dimensão emocional e mental da saúde", já que seu contato frequente com os pacientes lhes dá uma "posição privilegiada" para realizar o monitoramento contínuo, detectar problemas de adesão, identificar interações e evitar o abandono do tratamento.
"Uma capacidade que, se articulada sistematicamente, pode se traduzir em um verdadeiro salto de qualidade na assistência à saúde mental", enfatizou.
Como exemplo do trabalho realizado pelos farmacêuticos no campo da saúde mental, ele apresentou alguns dos projetos promovidos pela CGCOF, como a elaboração de estudos que servem como uma radiografia do estado da saúde mental no país e outros sobre os determinantes sociais da saúde ou o enfrentamento da solidão.
Também destacou o lançamento de campanhas de conscientização e divulgação do papel do farmacêutico na prevenção, detecção precoce e apoio; programas de treinamento para profissionais; e o projeto de escolas rurais de saúde, em que os próprios farmacêuticos dão palestras para pacientes e cuidadores em áreas rurais.
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