Jesús Hellín - Europa Press
MADRID, 28 ago. (EUROPA PRESS) -
A Confederação Espanhola de Sindicatos Médicos (CESM) e o Sindicato Médico de Ceuta (CESM-Ceuta) exigiram que a ministra da Saúde, Mónica García, abandone a estratégia de negar os problemas na prestação de cuidados em Ceuta após a crise migratória e que dote o sistema de saúde dos recursos necessários para garantir um atendimento adequado.
Assim, o sindicato médico criticou a “aparição decepcionante” da ministra da Saúde, Mónica García, no Congresso, depois que ela negou que o sistema de saúde de Ceuta tenha chegado ao colapso como consequência da crise migratória.
Para o sindicato médico, afirmar que “a saúde nunca entrou em colapso” não transforma uma situação de emergência na área de assistência médica em uma situação normal. A organização denuncia que o Pronto-Socorro chegou a funcionar durante o período de férias, a Operação Paso del Estrecho e a atual pressão migratória com sete médicos e sem reforço médico suficiente, enquanto o número de atendimentos se multiplicou.
“E se, como afirma a ministra, não existe nenhuma situação excepcional, o CESM-Ceuta questiona por que a Administração se viu obrigada a solicitar médicos voluntários para realizar plantões no Pronto-Socorro”, acrescenta o comunicado.
A CESM também considera chamativo que a ministra se gabe da incorporação de 90 profissionais para reforçar a assistência quando, segundo ela mesma afirma, nenhum deles é médico. Nesse sentido, considera que não é razoável apresentar como reforço da capacidade médica um número que não inclui médicos.
Além disso, ressalta que foi necessário abrir a área de Catástrofes do Pronto-Socorro e habilitar uma ala hospitalar que normalmente permanece fechada, chegando a duplicar o número de leitos disponíveis enquanto o centro enfrentava a situação com aproximadamente metade do pessoal habitual.
A CESM-Ceuta lembra que tanto a Ordem dos Médicos quanto a Ordem dos Enfermeiros alertaram publicamente sobre a gravidade da situação. Por isso, considera que a ministra deveria ouvir aqueles que trabalham diariamente nos serviços de saúde de Ceuta, em vez de “tentar construir, a partir de Madri, um relato que não corresponde ao que está acontecendo na prática”.
PEDEM RECURSOS PARA TRATAR DOENÇAS INFECCIOSAS
No que diz respeito às doenças infecciosas, a CESM-Ceuta considera necessário abordar essa questão com rigor científico e sanitário, sem preconceitos nem alarmismo. “É difícil de entender que a ministra dedique boa parte de sua intervenção a negar certos riscos quando os próprios dados fornecidos por seu departamento confirmam a existência de casos de tuberculose, varicela, sarna e dezenas de doenças gastrointestinais, além da necessidade de lançar uma campanha extraordinária de vacinação para a população migrante”, critica.
O sindicato não questiona que essas patologias também possam existir na Espanha, mas exige que se reconheça a “dimensão extraordinária” da situação sanitária que Ceuta está enfrentando e que sejam fornecidos os recursos necessários para atendê-la.
TRÊS ANOS SEM PISAR EM CEUTA E UMA VISITA QUE CHEGA MUITO TARDE
Por outro lado, o CESM-Ceuta considera incompreensível que a ministra tenha demorado aproximadamente três anos desde sua nomeação para visitar Ceuta e que o tenha feito três semanas após o início da emergência sanitária, “quando os profissionais vêm reclamando há tempo de atenção e recursos”, acrescenta.
Da mesma forma, o sindicato denuncia que os profissionais que tentaram transmitir diretamente à ministra a situação do pronto-socorro foram impedidos de fazê-lo ao saírem da Delegação do Governo.
“Os médicos de Ceuta não precisam que a ministra lhes explique qual é a sua realidade. Precisam que ela os ouça. E também não precisam ser apontados nem estigmatizados”, afirma a organização.
Nesse sentido, o CESM-Ceuta rejeita veementemente qualquer insinuação que possa apresentar os ceutianos como uma sociedade xenófoba. “Ceuta constitui, precisamente, um exemplo singular de convivência e pluralidade, e seus profissionais de saúde vêm, há anos, atendendo a qualquer pessoa que precise de assistência, independentemente de sua origem ou situação”, destaca o sindicato.
“Porque a saúde de Ceuta não precisa de um discurso que disfarce a realidade. Precisa de médicos, recursos e soluções. E os profissionais de saúde de Ceuta também não precisam que ninguém fale por eles: precisam que sejam ouvidos e que seu direito de expressar o que estão vivendo seja respeitado”, conclui o comunicado.
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