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O tabaco, as infecções e o álcool são os principais responsáveis MADRID 3 fev. (EUROPA PRESS) -
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e sua Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês) destacaram que quase quatro em cada dez casos de câncer são devidos a causas evitáveis, de acordo com os resultados de um estudo global que analisa a implicação de 30 fatores de risco na doença durante 2022.
A pesquisa, publicada na revista Nature Medicine às vésperas do Dia Mundial contra o Câncer, revela que 7,1 milhões (37,8%) dos 18,7 milhões de casos de câncer diagnosticados em adultos em 185 países ao longo de 2022 estavam relacionados a causas evitáveis.
Com base nisso, a OMS e a IARC apelaram à população e aos governos para que tomem consciência da importância de agir contra fatores de risco conhecidos que podem ser reduzidos.
O trabalho leva em consideração 30 fatores de risco evitáveis, entre os quais se incluem o tabaco, o álcool, o índice de massa corporal (IMC) e a exposição ambiental à poluição ou à radiação ultravioleta, bem como, pela primeira vez, nove agentes infecciosos que causam câncer.
Ao examinar a relação desses 30 fatores com os novos diagnósticos de 2022, o estudo revela que o tabaco é a principal causa evitável, sendo responsável por 3,3 milhões de casos, o que representa 15,1%. Depois do tabaco, vêm as infecções, responsáveis por 10,2% (2,2 milhões), e o consumo de álcool, relacionado a 3,2% (700.000 casos).
“Isso destaca onde os esforços de prevenção poderiam ter um maior impacto”, destacou a chefe adjunta da Unidade de Vigilância do Câncer da IARC, Isabelle Soerjomataram, durante uma coletiva de imprensa virtual na qual foram apresentadas as principais conclusões da pesquisa.
Os cânceres de pulmão, estômago e colo do útero representaram quase metade de todos os casos de câncer evitáveis em todo o mundo, com 1,8 milhão, 784.073 e 662.044 diagnósticos atribuíveis, respectivamente.
O câncer de pulmão foi relacionado principalmente ao tabagismo e à poluição do ar, enquanto o câncer de estômago foi atribuído em grande parte à infecção por Helicobacter pylori e o câncer do colo do útero ao vírus do papiloma humano (HPV).
Em relação às descobertas sobre o papel dos agentes infecciosos como causas do câncer, o estudo aponta para o “importante potencial” que as estratégias de controle de infecções e vacinação teriam para uma redução equitativa da incidência mundial de câncer.
Entre as mulheres, a maior proporção de cânceres evitáveis está relacionada ao HPV de alto risco. Entre os homens, destaca-se a ligação entre cânceres de estômago e Helicobacter pylori, bem como entre cânceres de fígado e vírus da hepatite B e C. MAIS CASOS EVITÁVEIS ENTRE HOMENS
O número de casos de câncer evitáveis foi consideravelmente maior nos homens, um total de 2,7 milhões, o que representa 45,4% dos novos diagnósticos nesse grupo. Enquanto isso, nas mulheres foi de 2,7 milhões, 29,7% do total de casos no grupo.
Nos homens, o tabagismo representou aproximadamente 23% de todos os novos casos de câncer, seguido por infecções com 9% e álcool com 4%. Entre as mulheres, as infecções, principalmente o HPV mencionado, representaram 11% de todos os novos casos de câncer, seguidas pelo tabagismo, com 6%, e pelo índice de massa corporal elevado, com 3%. O estudo evidencia diferenças consideráveis entre as regiões em relação ao número de cânceres evitáveis. Enquanto que para os homens a maior incidência se observa na Ásia Oriental, onde em alguns países quase 70% dos casos de câncer eram evitáveis, no caso das mulheres a maior incidência foi observada na África Subsaariana, onde mais de 40% dos casos de câncer na região foram atribuídos aos fatores de risco estudados.
O tabagismo predominou como a principal causa evitável nos homens, sendo o fator predominante em 126 dos 185 países analisados no estudo. No caso das mulheres, as infecções ocupam o primeiro lugar em 141 países.
“Essa diferença notável reflete padrões epidemiológicos e normas culturais e sociais distintas, e ressalta por que é essencial ter estratégias de prevenção adaptadas a cada sexo para reduzir a carga do câncer”, explicou Isabelle Soerjomataram. CHAMADO À AÇÃO “No Dia Mundial contra o Câncer, lembramos que o câncer afeta quase todas as famílias do mundo. Um diagnóstico de câncer muda a vida, mas as experiências diferem enormemente entre os países e dentro deles. Para alguns poucos privilegiados, o acesso e a inovação elevam as taxas de sobrevivência para mais de 70%. Mas para muitas pessoas, o câncer continua sendo uma sentença de morte, muitas vezes agravada por dificuldades sociais e econômicas devastadoras. Hoje estamos aqui para celebrar boas notícias baseadas em dados científicos sólidos: muitos tipos de câncer podem ser prevenidos”, destacou o chefe da Equipe de Controle do Câncer da OMS, Andre Ilbawi. Assim, Ilbawi ressaltou que os resultados deste estudo devem servir para empoderar as comunidades e os governos e ajudá-los a entender a melhor maneira de prevenir o câncer em seu contexto.
Ele também lembrou que as ações de prevenção devem ser comunicadas com cuidado, com foco na redução do risco e sem fazer as pessoas se sentirem culpadas. “Culpar os pacientes com câncer (por sua situação) prejudica sua saúde mental, atrasa o tratamento e reduz sua expectativa de vida”, afirmou.
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