PIXABAY/ JACQUELINE MACOU
MADRID 17 jul. (Portaltic/EP) -
O roubo de smartphones foi aperfeiçoado com o uso de um produto comum nas cozinhas, o papel-alumínio, que permite criar uma gaiola de Faraday que impede que o aparelho seja rastreado por localização, embora essa técnica rudimentar não seja infalível.
“O papel-alumínio pode deixar um celular praticamente mudo”, confirmou à Europa Press o gerente global de Operações de Consumo da Panda Security, Hervé Lambert. “É física básica. O alumínio conduz eletricidade e, quando envolve completamente o aparelho, este atua como uma gaiola de Faraday rudimentar que atenua ou bloqueia a rede móvel, o GPS, o Wi-Fi e o Bluetooth”.
A gaiola de Faraday refere-se a uma caixa protetora de metal capaz de bloquear sinais eletromagnéticos, inventada em 1836 pelo cientista britânico Michael Faraday. Um exemplo disso hoje em dia é o micro-ondas.
Essa forma caseira de impedir que os smartphones transmitam sinais ficou conhecida após a realização da oitava edição do Pirata Beach Festival, em Gandía, depois que a Unidade de Intervenção Policial identificou uma pessoa com uma dúzia de celulares embrulhados em papel-alumínio, conforme informou o jornal Levante.
No entanto, Lambert explica que, embora eficaz, uma gaiola feita com esse material não é infalível: “Uma abertura, uma dobra mal feita ou uma única camada podem permitir vazamentos, sobretudo em áreas com boa cobertura”, afirma.
O sistema de localização também não é destruído, o que significa que “assim que o ladrão retirar o invólucro, abrir a sacola, ligar o aparelho ou a blindagem falhar, o dispositivo pode se reconectar e executar as ordens pendentes”.
Diante da possibilidade de recuperar o celular roubado, o especialista em segurança cibernética indica que o que se deve fazer é registrar a ocorrência junto às autoridades com o número IMEI, bloquear o cartão SIM ou eSIM do telefone e manter a conta do Google ou da Apple, pois isso dificulta a revenda e ativa proteções como o bloqueio de ativação.
“O papel-alumínio pode ganhar tempo para o criminoso, mas também pode se voltar contra ele assim que o celular voltar a emitir sinal”, acrescentou Lambert.
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