Alberto Ortega - Europa Press - Arquivo
MADRID 16 jul. (EUROPA PRESS) -
A Federação de Consumidores e Usuários (CECU) exigiu nesta quarta-feira ao Ministério da Saúde uma lei estadual que garanta um número suficiente de fontes de água potável nas ruas espanholas, que são "fundamentais" para facilitar a hidratação das pessoas durante o verão, no qual as altas temperaturas são cada vez mais "extremas" e causam "impactos diretos" na saúde da população.
Junho foi um dos meses mais quentes na Espanha desde que há registros e, de acordo com dados do Ministério da Saúde, as altas temperaturas dos últimos dois meses foram responsáveis pela morte de 1.180 pessoas, 935% a mais do que em 2024.
Apesar disso, a CECU lamentou que, em cidades "tão quentes" como Múrcia, haja apenas um bebedouro público para cada 3.026 habitantes, conforme indicado em sua análise da presença de banheiros públicos e bebedouros nos municípios do país.
"As pessoas que trabalham na rua ou ao sol, aquelas que não têm uma casa com ar-condicionado ou eficiente ou aquelas que, devido ao seu nível de renda, fazem um esforço econômico considerável se tiverem que comprar água sempre que precisarem, são especialmente vulneráveis", disse a CECU.
Outras cidades costeiras, que no verão "multiplicam" sua população devido ao turismo, não têm uma situação melhor, como é o caso de Santanyí ou Gandía, que têm uma fonte de água para cada 6.240 ou 7.800 habitantes, respectivamente.
O relatório também destaca a desigualdade existente entre os diferentes municípios e, enquanto territórios como Huesca (uma fonte para cada 365 habitantes), Guadalajara (uma para cada 365) ou Cuenca (uma para cada 396) têm números positivos, há outros como Girona (uma para cada 4.012) ou Palma (uma para cada 3.112) com uma média negativa.
A organização também lamentou que mais da metade dos municípios espanhóis nem sequer tenha fornecido essas informações, o que constitui uma violação da transparência e denota "indiferença" a esse respeito.
"A proteção dos cidadãos não deve ser deixada a critério de um determinado prefeito que, em muitos casos, prioriza a presença de espaços privados, como bares, em detrimento dos direitos fundamentais de seus cidadãos", disse o advogado da CECU, Miguel Crespo.
Por todos esses motivos, o CECU solicitou à Saúde e à Federação Espanhola de Municípios e Providências que aprovem um regulamento que imponha às prefeituras um número "mínimo" de fontes e banheiros públicos por habitante.
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