TRIOCEAN/ ISTOCK - Arquivo
MADRID 16 jul. (EUROPA PRESS) -
A Confederação Espanhola de Alzheimer e Outras Demências (CEAFA) denunciou que “o Governo da Espanha e as comunidades autônomas (CCAA) condenam os pacientes com Alzheimer ao abandono”, o que, segundo a organização, ficou evidente com a decisão de não financiar os primeiros e únicos tratamentos capazes de retardar a evolução dessa doença.
Na opinião dessa organização, é “injustificável” a decisão tomada a esse respeito pela Comissão Interministerial de Preços de Medicamentos (CIPM), o que ocorreu “mais uma vez”. “Com isso, o Ministério da Saúde e as CCAA voltam a negar o acesso a uma inovação terapêutica que já foi aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) e pela Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS)”.
De fato, a CEAFA afirmou que essas terapias, que representam “o maior avanço científico no combate à doença de Alzheimer”, já estão disponíveis “em mais de cinquenta países” e no setor de saúde privada espanhol. Portanto, considera que “a Espanha se coloca, mais uma vez, à margem da inovação biomédica, negando a milhares de pessoas a única opção terapêutica capaz de retardar a evolução da doença”.
“É uma decisão que não questiona as evidências científicas, mas impede que os especialistas espanhóis ofereçam o tratamento aos pacientes que atendem aos critérios clínicos”, insistiu, para acrescentar que essa medida “condena filhos, filhas, cônjuges e cuidadores a assistir à doença continuar roubando memórias, autonomia e tempo, sabendo que existe um tratamento que a Espanha decidiu não colocar ao seu alcance”. “É uma condenação que exclui clinicamente, com efeito imediato e irreversível, toda uma geração de pacientes”, afirmou.
MUITOS PACIENTES DEIXARÃO DE ATENDER AOS CRITÉRIOS PARA SEREM CANDIDATOS A ESSAS TERAPIAS
Nesse sentido, ele ressaltou que “a cada semana que passa, novos pacientes deixam definitivamente de atender aos critérios clínicos para ter acesso a uma oportunidade que nunca mais poderão recuperar”. “Não se trata de um atraso administrativo, mas de uma decisão de enorme crueldade, porque o governo não está adiando uma verba orçamentária, está privando milhares de pessoas da única opção que existe”, enfatizou.
Além disso, declarou que a não financiamento desses compostos representa também “um retrocesso em relação ao consenso construído ao longo de mais de um ano entre pacientes e profissionais”, cuja “melhor prova” é “o ‘Decálogo do Alzheimer: Dez Compromissos pela MEMÓRIA’”, elaborado em conjunto com as sociedades espanholas de Psicogeriatria (SEPG), de Clínicos Gerais e de Medicina de Família (SEMG), de Neurologia (SEN), de Psiquiatria e Saúde Mental (SEPSM), de Geriatria e Gerontologia (SEGG) e de Médicos de Atenção Primária (SEMERGEN), bem como pelas fundações CIEN e Reina Sofía.
Precisamente com base nesse acordo, a CEAFA lembrou que foram realizadas reuniões com ministérios, grupos parlamentares, comunidades autônomas e autoridades da área da saúde. De fato, explicou que obteve até mesmo o “apoio expresso” do Ministério da Indústria e Turismo.
Depois de expor, por sua vez, que essa medida “também não se sustenta do ponto de vista econômico”, já que “o cuidado de uma pessoa com Alzheimer avançado representa um custo médio próximo a 30.000 euros por ano para as famílias espanholas, que arcam com cerca de 80% do impacto”, a presidente da CEAFA, Mariló Almagro, afirmou que “os governos não podem continuar se escondendo atrás de procedimentos”.
“Os órgãos públicos voltam a fechar as portas ao maior avanço terapêutico contra o Alzheimer em décadas”, denunciou ela, acrescentando que o que ocorreu foi “uma traição histórica às pessoas com Alzheimer e um desprezo absoluto por sua dignidade”. Por isso, essa organização intensificará todas as ações institucionais, políticas e sociais necessárias até reverter essa decisão.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático