MADRID 10 dez. (EUROPA PRESS) -
A Federação dos Setores de Saúde e Social e de Saúde de Comisiones Obreras (FSS-CCOO) defendeu a defesa da saúde pública universal, de qualidade e acessível a todos os cidadãos contra o avanço da privatização e a deterioração progressiva do Sistema Nacional de Saúde (SNS), que considera que esse modelo de negócio traz consigo.
Isso ele disse em meio à controvérsia sobre as revelações sobre o Hospital Universitário de Torrejón, que ele afirma "não ser um incidente isolado", mas a expressão mais recente de um modelo de saúde profundamente ideológico que a Comunidade de Madri vem aplicando há mais de duas décadas.
Nesse sentido, o sindicato apontou os outros hospitais de gestão privada da Comunidade, Collado Villalba, Infanta Elena de Valdemoro, Rey Juan Carlos de Móstoles e a Fundación Jiménez Díaz, bem como os de gestão mista, ou seja, públicos na parte de saúde e privados na parte não-sanitária, que são o Puerta de Hierro, Henares, Tajo, Infanta Leonor, Infanta Sofía, Infanta Cristina e Sureste.
Para a CCOO, esse modelo concebe a saúde como um "espaço de negócios" e não como um direito, e levou à transferência de atividades, recursos e poder de decisão do setor público para empresas privadas, tudo isso protegido por leis regionais, como a Lei de Organização da Saúde da Comunidade de Madri, e leis estaduais, com referência à Lei 15/1997.
Como resultado, disse ele, houve anos de cortes, deterioração, desmantelamento e privatização do sistema público de saúde de Madri, com aumento de encaminhamentos para empresas privadas, perda de transparência, fragmentação de serviços e uma visível deterioração tanto no atendimento ao paciente quanto nas condições de trabalho de todos os profissionais, enquanto os lucros de empresas como Quirón e Ribera Salud, entre outras, aumentaram exponencialmente.
Além disso, ele destacou que essas estratégias de privatização se espalharam por todo o país, em maior ou menor grau, por meio de concessões administrativas, hospitais de iniciativa privada para financiamento (modelo PFI), aumento de concertos e criação de circuitos paralelos que favorecem o setor privado.
"É por isso que quando falamos de privatização não desviamos o debate, o colocamos em seu devido lugar e ignorar esse processo é renunciar a explicar por que as listas de espera estão aumentando, por que certos grupos empresariais estão lucrando milhões com o dinheiro público e por que os serviços públicos estão enfrentando uma falta estrutural de pessoal", destacou a organização sindical.
MOBILIZAÇÕES
Neste contexto, explicou que as mobilizações convocadas pelas organizações sindicais da Área de Negociação do Estatuto Quadro visam alcançar um texto com condições de trabalho dignas para os trabalhadores do SNS, mas também travar um modelo privatizador que enfraquece, fragmenta e ameaça a sustentabilidade da saúde pública.
A CCOO salientou que continuará com as mobilizações e negociações sempre que necessário para exigir um financiamento suficiente e direcionado para a saúde; a recuperação dos serviços e centros privatizados; a transparência absoluta em todos os processos de contratação; o reforço urgente dos Cuidados Primários (CP) como espinha dorsal do sistema; e um aumento da força de trabalho em todo o país.
"Porque o que está em jogo não é um conflito passageiro, mas o futuro de um sistema de saúde que tem sido, há décadas, um dos pilares mais sólidos de nossa democracia. O sistema público de saúde é defendido todos os dias, e o CCOO continuará a defendê-lo com todas as suas forças", concluiu.
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