Publicado 04/02/2026 05:38

A CCOO estima cerca de 16.000 novos casos de câncer e mais de 6.100 mortes atribuíveis à exposição ocupacional em 2026.

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JUNTA DE EXTREMADURA - Arquivo

O câncer de pulmão concentrará o maior número de diagnósticos e mortes MADRID 4 fev. (EUROPA PRESS) -

O sindicato CCOO estima que, em 2026, serão registrados na Espanha 15.999 novos casos de câncer e 6.126 mortes atribuíveis à exposição ocupacional, sendo o câncer de pulmão o que concentrará o maior número de novos diagnósticos e mortes associadas.

No âmbito do Dia Mundial contra o Câncer, comemorado nesta quarta-feira, o CCOO publicou um estudo baseado em dados da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM), que estima que em 2026 serão diagnosticados na Espanha 301.884 casos de câncer, 166.764 em homens e 133.120 em mulheres.

No caso do câncer de pulmão, o sindicato calcula que serão notificados 5.176 novos casos atribuíveis ao trabalho e 3.858 mortes. Segue-se o câncer de próstata, com 2.090 casos e 358 mortes; câncer de mama, com 1.610 casos e 302 mortes; câncer de bexiga, com 1.468 casos e 257 mortes; e câncer de cólon, com 997 casos e 331 mortes.

A CCOO lembra que, de acordo com a Comissão Europeia, o câncer é a principal causa de mortalidade no trabalho na União Europeia (UE), com 53% do total de mortes no trabalho a cada ano (contra 28% devido a doenças cardiovasculares e 6% a doenças respiratórias). Neste contexto, o sindicato sublinha que os cancros causados pelo trabalho podem ser prevenidos e evitados através da eliminação da exposição a agentes cancerígenos.

“Se a invisibilidade e o desconhecimento da realidade das doenças profissionais são, sem dúvida, o principal déficit da prevenção de riscos laborais no nosso país, a subnotificação do câncer ocupacional é ainda maior, sendo os casos declarados praticamente simbólicos”, denuncia o sindicato no estudo.

Nesse sentido, ele apontou que o câncer ocupacional praticamente não existe nas estatísticas oficiais. “Camuflado sob o rótulo de doença comum, ele permanece oculto. De fato, em 2025, de acordo com dados publicados pelo Ministério da Previdência Social e Migrações através do CEPROSS, apenas 119 casos de doenças profissionais causadas por agentes cancerígenos foram comunicados em nosso país”, observa.

AGENTES CARCINOGÊNICOS A organização explica que, quando se fala de agentes cancerígenos no ambiente de trabalho, geralmente se pensa em produtos e substâncias de natureza química, mas indica que é preciso levar em conta que também existem outros tipos de agentes relacionados ao aparecimento do câncer que não são de natureza química e também podem ser muito frequentes no trabalho.

Entre esses agentes, o amianto ocupa o primeiro lugar, e estima-se que tenha causado e continuará causando milhões de mortes em todo o mundo. No entanto, o sindicato também alerta para a presença de outros fatores de risco, como partículas em forma de pó — entre elas, sílica e pó de madeira —, vários metais, como cromo VI ou arsênico, radiações ionizantes ou radiação solar, que afetam grupos como trabalhadores agrícolas, da construção civil, jardinagem, obras públicas ou do setor florestal. Além disso, aponta a exposição a determinados vírus, bactérias ou parasitas, embora com menor impacto. MEDIDAS PROPOSTAS

A CCOO destaca que as exposições profissionais são perigos evitáveis aos quais os trabalhadores são expostos de forma involuntária. “Ninguém tem de aceitar um risco maior de câncer no trabalho, especialmente se a causa é conhecida, e as empresas têm a obrigação legal de avaliar o risco e adotar medidas preventivas”, acrescenta.

Na opinião do sindicato, são necessárias medidas profundas que permitam uma proteção adequada e com garantias da população trabalhadora contra o câncer. Entre elas, a implementação de todas as medidas consensuais da Estratégia Espanhola de Segurança e Saúde no Trabalho 2023-2027, e especialmente da Agenda Nacional para a Prevenção do Câncer no Trabalho.

Além disso, o sindicato considera necessário a criação de um registro de empresas e trabalhadores expostos a agentes cancerígenos, bem como exigir das empresas o cumprimento da normativa vigente. Também aposta na ampliação do quadro de Doenças Profissionais, incorporando aqueles agentes cancerígenos com evidências científicas comprovadas, além de formar os médicos do Sistema Nacional de Saúde e divulgar critérios para o diagnóstico de doenças profissionais.

“Milhões de trabalhadores são expostos diariamente a agentes que podem causar câncer. É urgente agir por meio de um sistema preventivo adequado, no qual a informação é fundamental, a substituição de produtos é indispensável, as proteções coletivas e individuais são imprescindíveis e a vigilância da saúde específica é essencial”, conclui o sindicato.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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