MADRID 22 jul. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de especialistas do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa (CBM) realizou um estudo de pesquisa por meio do qual desenvolveu nanoveículos sintéticos “que potencializam a resposta imunológica e abririam caminho para vacinas mais eficazes”.
Mais especificamente, os especialistas desse centro — que conta com a participação do Conselho Estatal de Pesquisas Científicas (CSIC) e da Universidade Autônoma de Madri (UAM) — criaram uma plataforma de vacinas baseada em nanovesículas sintéticas que imitam o comportamento das vesículas extracelulares, as quais as utilizam para se comunicarem entre si. Essas nanovesículas incorporam uma proteína chamada CD9, que aumenta notavelmente a resposta imunológica contra os patógenos.
Assim, e conforme observado em camundongos, essa plataforma conseguiu que o sistema imunológico reconhecesse significativamente melhor as proteínas do parasita Leishmania. Além disso, comprovou-se que esse método também potencializa a resposta imunológica contra a proteína Spike do SARS-CoV-2, o vírus responsável pela Covid-19
Liderado pelo grupo de pesquisa dirigido pela Dra. María Yáñez-Mo, também membro do Instituto Universitário de Biologia Molecular (IUBM), este trabalho, publicado na revista especializada “Journal of Controlled Release”, mostra que essas nanovesículas aumentam significativamente a capacidade do sistema imunológico de reconhecer as moléculas que desencadeiam a resposta defensiva do organismo, denominadas antígenos.
A esse respeito, os autores lembraram que as vacinas funcionam ensinando o sistema imunológico a identificar um patógeno antes de entrar em contato com ele, para o que utilizam fragmentos característicos do microrganismo que permitem treinar as defesas do organismo, os citados antígenos. No entanto, alguns deles geram respostas imunológicas pouco intensas, o que limita a eficácia de determinadas vacinas.
IMITAM AS PROPRIEDADES DAS VESÍCULAS EXTRACELULARES
Diante disso, eles projetaram essas nanovesículas sintéticas que imitam as propriedades das vesículas extracelulares, estruturas minúsculas que atuam como veículos capazes de transportar os antígenos até as células do sistema imunológico de forma muito mais eficiente, promovendo, assim, uma resposta protetora mais potente. Para chegar a essa conclusão, utilizaram antígenos provenientes das duas doenças mencionadas.
“Em ambos os casos, a plataforma foi capaz de induzir uma resposta imunológica específica e mais intensa, o que demonstra que seu funcionamento não depende de um único patógeno e que poderia ser adaptada a futuras vacinas contra diversas doenças infecciosas”, continuaram, acrescentando ainda que também constataram que as nanovesículas são captadas de forma muito eficiente pelos macrófagos, células do sistema imunológico cuja função consiste em detectar agentes estranhos, processar seus antígenos e apresentá-los ao restante das células defensivas para iniciar a resposta imunológica.
Para concluir, e após indicar que existe a possibilidade de combinar essas nanovesículas com adjuvantes — substâncias adicionadas a algumas vacinas para reforçar a resposta imunológica —, eles afirmaram que essa plataforma “constitui uma estratégia promissora para aumentar a eficácia das vacinas contra uma ampla variedade de patógenos”.
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