SAN LORENZO DE EL ESCORIAL (MADRID), 24 (EUROPA PRESS)
O diretor do programa Base Lunar da NASA, Carlos García-Galán Castillo, afirmou nesta sexta-feira que o retorno humano à Lua deveria ter ocorrido há anos, mas agora estão se dando as condições que permitem pensar em uma presença humana permanente no satélite como treinamento para chegar a Marte.
“Devíamos ter ido antes”, opinou García-Galán, que garantiu que a mudança na dinâmica governamental e privada deu o impulso necessário para voltarmos a encarar a Lua como um objetivo realista, além de servir como “campo de testes” para uma possível missão tripulada a Marte, cujos riscos e desafios se apresentam “a longo prazo”.
Foi o que ele afirmou durante o último dia do curso de verão da Universidade Complutense de Madri em San Lorenzo de El Escorial, intitulado “Um país aeroespacial. O novo impulso após o sucesso do projeto estratégico aeroespacial espanhol”, onde relembrou as três fases do projeto que dirige: realizar os testes de confiabilidade com vistas a 2028, construir a infraestrutura entre 2029 e 2032 e, a partir daí, planejar os módulos habitáveis da Base Lunar no polo sul do satélite.
Por sua vez, o chefe de Relações Internacionais e Cooperação da Agência Espacial Espanhola (AEE), Carlos García Sacristán, comentou sobre a necessidade de colaboração entre administrações e agências espaciais, além de concordar com o representante da NASA quanto à importância da parceria público-privada e do papel das empresas espanholas de tecnologia nos grandes projetos aeroespaciais.
No entanto, o diretor do Departamento de Cargas Úteis Espaciais do Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial (INTA) e moderador da palestra, Ignacio Arruego, questionou se o valor científico de uma missão tripulada a Marte, que envolveria um custo elevado — entre 50 e 300 bilhões de euros — valeria a pena, ao que os palestrantes apelaram para o espírito explorador da raça humana e para o valor “intrínseco” de missões desse tipo.
Nessa linha, García-Galán lembrou como a missão Artemis II, que decolou em abril passado — da qual não se esperava muito em termos científicos, segundo ele —, paralisou o mundo por quatro horas, o que, em sua opinião, fará com que haja uma geração de profissionais “motivados”. “É uma obrigação da humanidade”, concluiu.
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