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MADRID 2 set. (EUROPA PRESS) -
O cardiologista e diretor-geral da Fundação EPIC, José Ramón Rumoroso, alertou que a mudança “abrupta” de ritmo ao fim das férias e no retorno ao trabalho gera condições de estresse que, se se prolongarem, podem prejudicar a saúde cardiovascular.
“O problema não é trabalhar, mas sim a mudança brusca: no verão, diminuímos o ritmo e, ao voltarmos, tentamos passar de zero a 100 em questão de dias”, afirmou ele, defendendo uma adaptação gradual à rotina, mantendo hábitos saudáveis relacionados ao sono, à alimentação e à atividade física.
Conforme explicou, o estresse crônico tem sido associado à hipertensão e a um maior risco cardiovascular, mas a relação entre estresse psicológico e doenças cardiovasculares é complexa e não deve ser interpretada como uma associação direta de causa e efeito em cada indivíduo.
Rumoroso detalhou que a insônia persistente, a irritabilidade, as dificuldades de concentração e o esgotamento mental são sinais de sobrecarga de estresse, mas alertou que há sintomas que exigem consulta com um especialista, sobretudo quando se repetem, surgem em repouso ou interferem nas atividades habituais.
“Palpitações frequentes, opressão ou dor no peito, falta de ar, cansaço desproporcional, dores de cabeça persistentes ou valores elevados e contínuos de pressão arterial não devem ser simplesmente descartados como ‘coisas do estresse’”, precisou ele.
Nesse sentido, ela insistiu na importância de não adiar uma consulta por estar de férias. “O coração não espera até setembro”, ressaltou.
DICAS PARA UM RETORNO SAUDÁVEL
A Fundação EPIC detalhou cinco dicas para ajudar a tornar o retorno ao trabalho saudável para o coração. Em primeiro lugar, recomendaram retomar os horários regulares de sono e evitar telas imediatamente antes de dormir.
“Dormir mal de forma contínua pode prejudicar o controle da pressão arterial, alterar o metabolismo e aumentar a sensação de estresse no dia seguinte. Quando o sono falha, fica muito mais difícil manter os demais hábitos saudáveis”, explicou Rumoroso.
Além disso, eles insistiram na importância de uma adaptação gradual, sem a necessidade de mudar todos os hábitos logo no primeiro dia, e aconselharam que, durante o expediente, se rompa com o sedentarismo levantando-se periodicamente, caminhando durante as chamadas ou usando as escadas.
“Ficar oito ou dez horas sentado tem um impacto próprio, mesmo que depois façamos algum exercício. O erro é pensar que tudo se compensa. Dormir quatro horas e tentar recuperar o sono no fim de semana, ou ficar sentado praticamente o dia inteiro e confiar que meia hora de academia resolva o problema, não é a melhor estratégia”, destacou Rumoroso.
Paralelamente, eles recomendaram manter uma atividade física regular e adaptada à condição física de cada pessoa, já que isso constitui um dos pilares da prevenção cardiovascular. Por fim, eles ressaltaram que se deve procurar atendimento médico em caso de palpitações recorrentes, dor ou opressão no peito, falta de ar, tonturas, desmaios ou pressão arterial persistentemente elevada.
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